COIMBRA E LEIRIA UNEM-SE CONTRA "CENTRALISMO NAS ÁREAS METROPOLITANAS"
As comunidades do Centro reclamam várias medidas, incluindo a revisão do sistema de portagens e a nova maternidade em Coimbra.
Redação
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12 de Janeiro 2022, 16:00
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Pela primeira vez, as comunidades intermunicipais (CIM) das regiões de Coimbra e Leiria reuniram-se, esta terça-feira (11/01), em Ansião, numa cimeira para elaborar um caderno de encargos para a região. No documento final constam 50 pontos, divididos por oito temas, que serão apresentados aos candidatos às eleições legislativas pelos dois círculos eleitorais.

Gonçalo Lopes, presidente da CIM de Leiria, declarou, em conferência de imprensa, que “num momento em que é fundamental uma estratégia de recuperação económica e social do país, esta região reclama que não se continue a apostar no centralismo de Lisboa e nas duas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto e que olhe para o território todo do país como uma oportunidade de coesão e desenvolvimento harmonioso”.

Coimbra e Leiria afirmam-se como um território “com elevado desempenho em vários domínios”, mas reconhecem “limitações fundamentais que devem conhecer urgente resolução”, através de “decisões de investimento que suportem a transformação estrutural que há vários anos é reclamada pelos vários atores políticos e pelos diversos sectores da sociedade” e de “níveis de financiamento adequados para os programas e as políticas de execução dos fundos europeus e de investimento do Estado”, de modo a “mitigar os efeitos perversos da excessiva afetação de recursos às grandes áreas metropolitanas do Plano de Recuperação e Resiliência”.

Saúde

Para o setor da saúde, pretendem uma nova maternidade em Coimbra, ou a requalificação/ampliação do Centro Hospitalar de Leiria, do Hospital dos Covões e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e o “reforço da rede de cuidados de saúde primários e de cuidados continuados”.

Educação

Apelam ao reforço da rede regional de residências para estudantes do ensino superior.

Ambiente

Adoção de uma política de ação integrada de mitigação da erosão costeira e planos integrados intermunicipais de tratamento e valorização de resíduos sólidos urbanos, com custos sustentáveis para os cidadãos.

Assim como a revitalização das matas nacionais e outras paisagens protegidas, o aumento da capacitação para a gestão de riscos e um programa de aumento de resiliência do setor florestal, juntamente com o investimento na multifuncionalidade da floresta, aumentando, desta forma, a capacidade de resposta às alterações climáticas.

Competitividade empresarial

Neste domínio querem a requalificação e ampliação do porto comercial da Figueira da Foz, mais investimento para áreas de acolhimento empresarial, a aposta no trabalho em rede das infraestruturas de incubação, aceleração e parques tecnológicos, e um programa de redução fiscal dos custos de energia e de estabilização de preços dos contratos de fornecimento de eletricidade.

Habitação e o desafio da demografia

Para vencer o desafio da demografia propõe “programas de atração de novos residentes e migrantes”, e o aumento da oferta de habitação a preços acessíveis e com rendas controladas.

Transportes

Querem a revisão do sistema de portagens nas autoestradas 13, 17 e 19, a modernização e eletrificação da Linha ferroviária do Oeste, a requalificação do IP 3 e a inclusão de ambas as cidades no traçado da linha de via dupla de alta velocidade para passageiros entre Lisboa e Porto.

De fora ficou o Aeroporto Internacional da Região Centro, uma vez que as comunidades intermunicipais continuam sem conseguir chegar a acordo quanto à localização ideal para a infraestrutura. Coimbra pretende que o aeroporto fique nos arredores da cidade, já Leiria sugere que a Base Aérea de Monte Real (BA5) seja aberta à aviação civil.

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