Vários presidentes de juntas de freguesias de Lisboa insurgiram-se contra a decisão da Carris de suspender 18 carreiras de bairro, no primeiro dia de regresso às aulas (10/01) e, pelo menos, até à próxima sexta-feira. De acordo com a transportadora, sob alçada da Câmara Municipal, a medida foi tomada devido ao número de motoristas infetados ou em isolamento por causa da COVID-19.
Através de comunicados divulgados nas suas páginas no Facebook, os autarcas do partido socialista que presidem as juntas de freguesia de Benfica, Santa Maria Maior, Campolide, Misericórdia e Alcântara lamentaram a decisão e garantem ter sido “surpreendidos com a notícia”.
Ricardo Marques, presidente da Junta de Freguesia de Benfica, referiu que a suspensão de carreiras foi feita “sem nenhum aviso prévio, à Junta de Freguesia”, e considera que demonstra “um total desrespeito pelos mais de 15 mil utentes/mês”.
“A Carris vai deixar Benfica sem a Carreira de Bairro 70B na semana de regresso às aulas de milhares de alunos, sendo esta carreira a única que oferece realmente mobilidade dentro da freguesia, aquela que serve a maioria dos nossos residentes mais idosos, sendo este o meio de transporte de que dispõem para ir ao Centro de Saúde, serviços de testagem, ao Mercado de Benfica, etc,” explica.
O autarca garante ainda que contactou com o vereador da CML, Ângelo Pereira, “alertando para esta situação e pedindo a suspensão imediata desta decisão”, mas não obteve resposta nem da Câmara, nem da Carris.
Também a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, através de uma publicação no Facebook, “regista e lamenta” que “os novos tempos da Câmara Municipal de Lisboa ignorem as Juntas de Freguesia, não as consultando nem sequer informando, e muito menos procurando em conjunto encontrar soluções mitigadoras de decisões que têm impacto negativo sobre a população, com enfoque nas camadas mais frágeis: crianças e idosos,” destacaram, fazendo referencia ao slogan da campanha de Carlos Moedas, presidente da CML.
Já as Juntas de Freguesia de Campolide, da Misericórdia e de Alcântara anunciaram que irão assegurar um transporte alternativo para colmatar o impacto causado pelas carreiras suprimidas. “Confrontada com este facto consumado, que demonstra cabalmente a falta de consideração que a Carris e a Câmara Municipal têm pela Freguesia de Campolide, e lutando sempre de forma intransigente pela defesa dos nossos vizinhos, a Junta de Freguesia garantirá, entre 11 e 14 de janeiro, a custos próprios, o circuito da carreira de bairro com uma viatura de 9 lugares, a maior disponível, cumprindo os mesmos horários que a carreira cortada pela Carris,” pode ler-se na publicação da autarquia de Campolide nas redes sociais.
Foto: António Vera
