AUTARCAS CRITICAM SUSPENSÃO "SEM AVISO" DAS CARREIRAS DA CARRIS
Segundo os presidentes, as juntas de freguesia não as foram consultadas, “nem sequer informadas”, da decisão que prejudica milhares de utilizadores.
Redação
Texto
11 de Janeiro 2022, 16:10
summary_large_image

Vários presidentes de juntas de freguesias de Lisboa insurgiram-se contra a decisão da Carris de suspender 18 carreiras de bairro, no primeiro dia de regresso às aulas (10/01) e, pelo menos, até à próxima sexta-feira. De acordo com a transportadora, sob alçada da Câmara Municipal, a medida foi tomada devido ao número de motoristas infetados ou em isolamento por causa da COVID-19.

Através de comunicados divulgados nas suas páginas no Facebook, os autarcas do partido socialista que presidem as juntas de freguesia de Benfica, Santa Maria Maior, Campolide, Misericórdia e Alcântara lamentaram a decisão e garantem ter sido “surpreendidos com a notícia”.

Ricardo Marques, presidente da Junta de Freguesia de Benfica, referiu que a suspensão de carreiras foi feita “sem nenhum aviso prévio, à Junta de Freguesia”, e considera que demonstra “um total desrespeito pelos mais de 15 mil utentes/mês”.

“A Carris vai deixar Benfica sem a Carreira de Bairro 70B na semana de regresso às aulas de milhares de alunos, sendo esta carreira a única que oferece realmente mobilidade dentro da freguesia, aquela que serve a maioria dos nossos residentes mais idosos, sendo este o meio de transporte de que dispõem para ir ao Centro de Saúde, serviços de testagem, ao Mercado de Benfica, etc,” explica.

O autarca garante ainda que contactou com o vereador da CML, Ângelo Pereira, “alertando para esta situação e pedindo a suspensão imediata desta decisão”, mas não obteve resposta nem da Câmara, nem da Carris.

Também a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, através de uma publicação no Facebook, “regista e lamenta” que “os novos tempos da Câmara Municipal de Lisboa ignorem as Juntas de Freguesia, não as consultando nem sequer informando, e muito menos procurando em conjunto encontrar soluções mitigadoras de decisões que têm impacto negativo sobre a população, com enfoque nas camadas mais frágeis: crianças e idosos,” destacaram, fazendo referencia ao slogan da campanha de Carlos Moedas, presidente da CML.

Já as Juntas de Freguesia de Campolide, da Misericórdia e de Alcântara anunciaram que irão assegurar um transporte alternativo para colmatar o impacto causado pelas carreiras suprimidas. “Confrontada com este facto consumado, que demonstra cabalmente a falta de consideração que a Carris e a Câmara Municipal têm pela Freguesia de Campolide, e lutando sempre de forma intransigente pela defesa dos nossos vizinhos, a Junta de Freguesia garantirá, entre 11 e 14 de janeiro, a custos próprios, o circuito da carreira de bairro com uma viatura de 9 lugares, a maior disponível, cumprindo os mesmos horários que a carreira cortada pela Carris,” pode ler-se na publicação da autarquia de Campolide nas redes sociais.

Foto: António Vera

  Comentários