Os lojistas do Centro Comercial do Bonfim ocuparam o espaço, encerrado no último dia de 2021, na manhã de segunda-feira (03/12) e garantem que não vão deixar que o estabelecimento histórico da cidade de Setúbal feche, até conhecerem a decisão do Tribunal de Setúbal relativamente à providência cautelar que interpuseram.
A empresa Célebres Assuntos, gestora do espaço, notificou os lojistas, em dezembro, informando que os proprietários do centro decidiram cessar o contrato de arrendamento e que, por isso, não iria renovar os contratos de subarrendamento. Contudo, segundo os relatos dos lojistas, a empresa arrendatária pertence aos proprietários do espaço, e os contratos têm um prazo de cinco anos desde 2019, no âmbito da lei do arrendamento urbano.
Nesse sentido, defendem que a ordem de encerramento é ilegal e 11 dos 21 lojistas decidiram interpor uma providência cautelar, estando ainda a aguardar a decisão do Tribunal de Setúbal. Até lá, recusam-se a entregar as chaves e prometem que continuarão a abrir as lojas, tal como aconteceu esta segunda-feira, e que motivou a identificação dos comerciantes pela PSP.
Ouvido pelo JN, António Gorrão, um dos líderes da contestação e marido de uma lojista, conta: “Entrámos no centro com as nossas chaves, o alarme tocou, resolvemos a situação com a Prosegur que esteve no espaço e durante a manhã a advogada da Célebres Assuntos apareceu com a PSP a ordenar que saíssemos do espaço, mas explicámos que temos uma providência cautelar no tribunal por decidir e só aí saímos ou não.”
“Queremos trabalhar. Estamos todos muito tristes, desanimados e enervados, a minha mulher tem duas empregadas que já se fartaram de chorar esta manhã. Não nos podem mandar embora com um aviso de um mês, temos empregados que não podemos despedir de um pé para o outro, temos obrigações fiscais e agora só esperamos que o tribunal decida o mais rapidamente possível,” acrescentou.
