CAMPO MAIOR NA UNESCO É "UMA GRANDE VITÓRIA” PARA O ALENTEJO
O EuroRegião falou com António Ceia da Silva, Presidente da CCDR Alentejo, sobre a distinção de Campo Maior na UNESCO.
Maria João Silva / Manuel Ribeiro
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16 de Dezembro 2021, 19:00
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As Festas do Povo de Campo Maior são, agora, Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. O EuroRegião falou com António Ceia da Silva, presidente da CCDR Alentejo, que abordou o futuro da tradição e o impacto da distinção em Campo Maior.  

EuroRegião: Para quem não conhece, o que são as Festas do Povo de Campo Maior? 

António Ceia da Silva: As festas de Campo Maior são inigualáveis e únicas a nível mundial, precisamente por ser o povo que manda e por ter uma estrutura única que permite realizar as Festas quando o povo decide. São fantásticas do ponto de vista da dinamização cultural. Tenho muito orgulho em ter feito parte do processo de candidatura desta tradição a Património Cultural Imaterial da Humanidade. 

A nossa filosofia é que o Património da UNESCO é aquilo que é procurado pelos turistas quando visitam uma região e, simultaneamente, o turista procura aquilo que é distinguido pela entidade internacional. O Alentejo é região do país que melhor representa o que é ser Património da Humanidade e isso é algo que nos deixa orgulhosos, satisfeitos não só pela distinção, mas também pelo trabalho feito pela Câmara Municipal de Campo Maior, pelos camponeses e camponesas, e pelos mestres que transformam o papel em flor. Esta é mais uma vitória para o Alentejo, para o turismo do Alentejo e para a afirmação regional. 

ER: O que motivou a candidatura de Campo Maior a Património Cultural Imaterial da Humanidade? 

ACS: Nós tínhamos uma estratégia bem definida que passou pelo cante alentejano, o chocalho, entre outros, e isso acabou por reforçar a candidatura de Campo Maior, mas também a de outras regiões, como Mértola, Vila Viçosa. Há um conjunto de outras candidaturas que também foram reforçadas por esta distinção. Esta é, sem dúvida, uma grande vitória. 

As festas de Campo Maior são inigualáveis e únicas a nível mundial, precisamente por ser o povo que manda e por ter uma estrutura única que permite realizar as Festas quando o povo decide. 

ER: Que impacto é que esta distinção vai ter no futuro de Campo Maior, no Alentejo e na cultura alentejana? 

ACS: Para já, encontra-se em fase final de construção o Centro de Interpretação das Festas do Povo de Campo Maior. Apesar das celebrações não acontecerem todos os anos, agora há este centro, há este núcleo museológico onde os visitantes podem conhecer a tradição. Não tenho dúvidas que, com esta distinção e com as iniciativas da região, vai haver um aumento enorme de turistas. O facto de Campo Maior ter conquistado a distinção de Património da Humanidade vai também beneficiar a cidade do ponto de vista económico. 

EuroRegião: O que se pode esperar para o futuro da tradição? Sabemos que é a população que define a data e a temática das edições, mas o que se pode esperar para o futuro das Festas do Povo? 

António Ceia da Silva: Podemos esperar um enorme envolvimento de todos os camponeses e camponesas. Nas próximas Festas, o povo vai continuar a mandar, mas tenho a certeza que, na próxima edição, vão ser as melhores festividades de sempre porque o povo de Campo Maior vai fazer questão de honrar esta distinção da UNESCO.  

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