O relatório anual do Comité para a Proteção de Jornalistas (CPJ) revelou que a China é o país com o maior número de jornalistas detidos pelo terceiro ano consecutivo (50), entre eles, Jimmy Lai, magnata ligado à imprensa, em resultado da lei da segurança nacional imposta por Pequim ao território, no ano passado.
Neste momento, há 293 jornalistas presos a nível mundial, o valor mais elevado desde que o organismo começou a recolher dados estatísticos na década de 1990. Entre os países que mais jornalistas prendem estão o Egito (25), Vietname (23), Bielorrússia (19), Turquia (18), Eritreia (16), Arábia Saudita (14), Rússia (14), Irão (11) e Etiópia (9).
Na Europa, a CPJ destaca o caso da Bielorrússia que atualmente conta com o maior número de jornalistas presos desde o início da recolha de dados, em 1992, destacando-se o caso recente do jornalista Roman Protasevich, que foi detido após o avião em que seguia ter sido desviado pelo Governo bielorruso.
De acordo com o relatório, “os governos repressivos estão claramente conscientes de que a indignação pública por violações dos direitos humanos é amortecida e que os governos democráticos têm menos apetite para represálias políticas ou económicas” devido à atenção centrada na pandemia e nas alterações climáticas, considera o Comité para a Proteção de Jornalistas.
Neste sentido, em setembro, a União Europeia propôs medidas de proteção a jornalistas. Segundo a vice-presidente de Valores e Transparência na União Europeia, Vera Jourova, em 2020, “mais de 900 jornalistas e profissionais dos media” foram vítimas de ataques na União Europeia (UE), solicitando ainda que os Estados-membros adotem medidas capazes de tornar a UE num “lugar mais seguro para os jornalistas”, realçou durante o encontro dedicado ao Estado da União (State of the Union) 2021.
Vera Jourova apelou também a que os 27 países integrantes da UE prestem especial atenção à proteção de jornalistas mulheres, uma vez que “73% delas disseram ter sofrido violência online em seu trabalho”, concluiu.
