03 Dez 2021, 09:00 Para a grande maioria das pessoas, quando estava a votar nas eleições autárquicas, no dia 26 de setembro, era impensável, dois meses volvidos, o orçamento de estado ter sido chumbado, com consequente marcação de eleições para dia 30 de janeiro de 2022.
Com efeito, a vitória no “photo finish” de Carlos Moedas, em Lisboa, fez abanar as fundações da influência do Partido Socialista, ao perder um dos seus bastiões autárquicos. Junte-se a isso, os resultados sofríveis do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, a nível nacional, ruindo assim as fundações da famosa “Geringonça”. Pode-se, pois, dizer que as autárquicas, tal como em 2001 com Guterres, derrubaram a composição vigente da Assembleia da República.
A vitória no “photo finish” de Carlos Moedas, em Lisboa, fez abanar as fundações da influência do Partido Socialista
Diz-se, no meio futebolístico, que em “equipa que ganha não se mexe”. É, assim, tentador, e até pela proximidade temporal, aplicar as mesmas estratégias e lógicas autárquicas nas legislativas.
Em Lisboa, a minha cidade, a coligação PSD com o CDS foi decisiva para a vitória de Carlos Moedas. E porquê? Porque nas eleições autárquicas, sendo eleições de proximidade com as populações, PSD e CDS tinham um património vasto através da sua rede de autarcas, tanto pela implantação do PSD bem como o excelente “score” que Assunção Cristas teve em 2017, deixando um legado de pessoas e visibilidade à direita, além do PSD, permitindo que “votinho a votinho”, nas vinte e quatro freguesias lisboetas, fosse possível derrotar o favorito Fernando Medina.
Nas eleições autárquicas, vota-se nas pessoas em si, na confiança e proximidade que transmitem. Porém, nas legislativas, as pessoas tendem a votar mais nos partidos que perspetivam maior estabilidade para o país, que prometem melhorar as condições de vida dos cidadãos, propiciando um futuro melhor que o presente. É assim que a grande maioria dos portugueses pensa, a maioria que decide as eleições.
Num contexto de incerteza, derivada à COVID19, arrisco-me a dizer que os portugueses, cautelosos e não dados a grandes aventureirismos em alturas complicadas, premiarão quem souber demonstrar serenidade, racionalidade e espírito positivo, apresentando um plano de desenvolvimento para o país, adequado aos tempos em que vivemos.
Nas eleições autárquicas, vota-se nas pessoas em si, na confiança e proximidade que transmitem. Porém, nas legislativas, as pessoas tendem a votar mais nos partidos que perspetivam maior estabilidade para o país
Por contraponto, com as supracitadas autárquicas, um programa de governo bem comunicado pelo seu líder partidário é bem mais eficaz do que saber quem são os integrantes das listas de deputados no seu distrito. A atuação e prestígio dos líderes partidários é, pois, basilar na disputa legislativa.
Se António Costa poderá sofrer de algum desgaste na imagem, tem como vantagem conhecer de “ginjeira” o espírito dos eleitores, muitos deles com incertezas e receios de sair debaixo dos paradigmas socialistas a que nos fomos habituando. É que, convém lembrar, nos últimos 25 anos, 18 foram de governos PS. Talvez também por aí, alguma falta de confiança na própria direita em como reverter esta situação.
É a Rui Rio, com a liderança reafirmada, que cabe quebrar este ciclo, pelo que terá de minimizar erros e entropia à sua volta, para maximizar a sua mensagem junto do eleitorado
É a Rui Rio, com a liderança reafirmada, que cabe quebrar este ciclo, pelo que terá de minimizar erros e entropia à sua volta, para maximizar a sua mensagem junto do eleitorado.
E, enquanto os Portugueses estão focados na sua vida interna, o tempo de “invernia” que cerca a Europa não abranda. Para além do frio de dezembro, temos as movimentações da Rússia pressionando a Europa. Tanto pelo seu “fiel escudeiro” Lukashenko na Bielorrússia criando um problema na fronteira com a Polónia, quer ela própria, de cara descoberta, “mostrando os dentes” à Ucrânia, ao mobilizar tropas junto da sua fronteira.
Cabe á Europa, perceber que, muitas vezes, os seus adversários usam a liberdade de expressão e de circulação para criar conflitos internos, para minar a coesão europeia. Discussões estéreis, politicamente corretas desprovidas de qualquer bom senso, ocupam boa parte do espaço mediático e nas redes sociais, com o objetivo claro de nos desgastar.
Mesmo com as evidências que se encontraram de influência externa na votação do Brexit, quanto tempo mais demorarão os europeus a perceber que estão a ser postos uns contra os outros?

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