OLIVEIRAS COM MAIS DE MIL ANOS DÃO ORIGEM A PROJETO DE TURISMO
Dois produtores de azeite estão a desenvolver um projeto de oleoturismo com oliveiras milenares de Idanha-a-Velha. Dois dos exemplares têm 1.620 e 1.030 anos de idade.
Redação
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15 de Novembro 2021, 19:17
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O projeto criado por Tiago Lourenço e Ricardo Araújo, dois produtores de azeite, pretende dinamizar Idanha-a-Velha e o turismo na região. “A ideia surgiu quando andava a podar as árvores da nossa quinta”, declara Tiago Lourenço. “Temos algumas árvores que estão aqui ao longo de séculos e milénios, a alimentar todas estas gerações e civilizações, desde os romanos, as invasões bárbaras, muçulmanos e o período da reconquista. A árvore mais antiga que foi encontrada até agora tem 1.620 anos”, referiu o produtor em declarações à Lusa. 

Numa fase inicial, a inciativa exigiu a datação das oliveiras da região. Segundo o produtor de azeite, após a datação de seis oliveiras, “a mais velha com 1.620 anos e a mais recente com 350 anos”, a ideia passa por criar um percurso dentro da própria localidade, que possa contar a sua história através do oleoturismo. 

“Cremos que com estas seis árvores já conseguimos cobrir um período bastante interessante da história de Idanha-a-Velha. A ideia é a de que quem vem ao nosso território possa conhecer a indústria do azeite. Além dos dois núcleos museológicos que temos, o lagar de varas de Idanha-a-Velha e o núcleo museológico de Proença-a-Velha, já têm, pelo menos, uma quinta para visitar, onde se produz azeite de alta qualidade e temos uma aldeia histórica”, revelou. 

O processo de datação dos exemplares foi feito através de um sistema desenvolvido pela Universidade de Trás-os-Montes (UTAD), o que permite atrair mais visitantes para Idanha-a-Velha devido à história das árvores e à cultura do azeite. Segundo o empresário, tal como existe turismo ligado ao setor vinícola, “há um grande potencial em replicar essa estrutura ligada à produção do azeite, ou seja, as quintas de azeite de alta qualidade podem perfeitamente ter o mesmo fascínio do que uma quinta vinícola”, informou. 

O projeto engloba não só o percurso na aldeia de Idanha-a-Velha, mas também visitas a quintas e o desenvolvimento da cooperação ibérica no setor. Os dois empresários estão atualmente a explorar um total de 195 hectares de olival tradicional de sequeiro (180 em Idanha-a-Velha e 15 hectares em Ladoeiro) e produzem azeite biológico premium, com as variedades endémicas da região. 

Segundo Tiago Lourenço, a produção anual de azeite biológico (produto de excelência premium) da Real Idanha situa-se em cerca de quatro mil litros, sendo que 70% é exportado para mercados ‘gourmet’ específicos de França, Suíça, Inglaterra e Alemanha. 

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