A AECT Duero-Douro, entidade pública criada para o desenvolvimento de projetos de cooperação transfronteiriça, em parceria com os municípios do Nordeste Transmontano, Beira Interior e das províncias espanholas de Zamora e Salamanca, desenvolveu um sistema que baixa o valor da fatura da luz em 92%, foi divulgado na sexta-feira (29/10).
Mediante a instalação de painéis fotovoltaicos em telhados dos edifícios pertencentes às autarquias, este modelo tornou possível produzir energia elétrica que depois é injetada na rede de distribuição.
José Luís Pascual, diretor geral do Agrupamento de Cooperação Territorial (AECT) Duero-Douro, explicou à Lusa que se trata de “um modelo pioneiro entre todos os conhecidos até ao momento onde a energia é produzida pelos municípios, sem taxas nem impostos”.
Para isso, foi criada, em 2017, a primeira cooperativa de energia transfronteiriça – a Efiduero Energy SCEL.
Para o representante do projeto as alternativas, como esta, de “autoconsumo coletivo” são “uma alternativa aos modelos tradicionais utilizados pelos grandes grupos produtores de eletricidade” contribuindo “para travar o monopólio de produção energética existente em Portugal e Espanha”, afirmou.
“Concretamente, estas instalações são de 15.75 kW e constam de 35 painéis de 450W. Através do autoconsumo coletivo estarão a beneficiar desta energia tanto as autarquias como as empresas ou particulares com contrato de energia elétrica nas localidades”, acrescentou.
Por esse motivo, a meta do projeto é instalar uma centena de unidades de autoconsumo pelos concelhos de Vinhais, Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, e em Vila Nova de Foz Côa e no Sabugal, na Guarda.
Segundo dados da Lusa, uma família portuguesa ou espanhola paga em média 300 euros por Megawatt /hora na fatura da luz, através desta alternativa pagam apenas 24 euros por hora, pela mesma potência distribuída.
“Trata-se de um projeto pioneiro baseado na criação de um sistema que promova a independência energética das pequenas comunidades rurais convertendo-as num polo de atração de investimento de empresas e por conseguinte na criação de emprego. Tudo através de uma fonte de energia renovável e amiga do meio ambiente como a energia solar”, terminou José Luís Pascual.
O projeto de autoconsumo coletivo teve um investimento de 3,5 milhões de euros por parte da AECT Duero-Douro.
