O QUE É A ECONOMIA DIGITAL?
Já todos nos acostumámos à digitalização, mas as facilidades trazidas pelas novas tecnologias também têm efeitos nos mercados. A nova “economia digital” é, cada vez mais, parte fulcral da economia.
Redação
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15 de Setembro 2021, 10:00
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Os nossos smartphones são agora mais do que simples telemóveis, tornaram-se numa ferramenta importante no nosso dia-a-dia. Fazemos pesquisas, procuramos produtos, serviços, respostas às nossas curiosidades ou soluções para os nossos problemas. É online que lemos as notícias, que comunicamos com amigos e até com desconhecidos. Arrumámos os mapas e já só nos servimos do GPS do telemóvel.

Já não vivemos sem a comodidade e flexibilidade das ferramentas digitais que, não são apenas dispositivos para os tempos livres, mas têm ainda maior potencial quando utilizados para proveito das atividades económicas.

Por um lado, se os consumidores estão online, a oferta de bens e serviços adapta-se a um novo mercado digital, tirando proveito das oportunidades únicas do meio digital. Como a possibilidade de chegar a uma quantidade muito superior de pessoas, e de reunir informações relativas aos seus consumidores que possibilitam a criação de soluções personalizadas.

Por outro lado, a introdução das TIC (tecnologias de informação e comunicação) e o uso recorrente de software para aumentar a produtividade, a flexibilidade e a diversidade de produtos, e reduzir os custos de produção.

As indústrias têm vindo a modificar-se para acomodar a revolução digital e tirar proveito das suas vantagens competitivas. Algumas das principais tecnologias a transformar a economia são:

A Inteligência Artificial (IA) é a tecnologia que permite à máquina pensar como ser humano, ou seja, aprender, raciocinar, perceber e decidir de forma racional conforme as informações que lhes são introduzidas. Os exemplos mais conhecidos são as assistentes virtuais de atendimento ou chatbots, mas o potencial para as empresas é diverso.

As ferramentas de big data e analytics são usadas para a análise de informações em grande quantidade e em formatos para os quais as plataformas tradicionais de gestão de informação não dão resposta: sensores, áudio ou vídeo.

A Internet de todas as coisas (Internet of Things – IoT, sigla em inglês) é uma rede de biliões de dispositivos conectados, que recolhem dados e comunicam entre si, o que permite uma maior eficácia e eficiência dos processos: desde a monitorização do processo produtivo para identificar problemas com impacto na qualidade final dos produtos, até permitir, em tempo real, ativar ações de correção, a melhorar a eficiência das máquinas, entre outros serviços.

A Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA) servem para acelerar a aprendizagem de novas competências, a resolução imediata de tarefas e a compreensão visual de processos. A RV transporta a realidade visual para a digital, enquanto a RA sobrepõe elementos digitais à realidade física. Por exemplo, sites e apps que possibilitam fazer simulações antes de comprar, muito utilizados para lojas ou serviços de decoração.

Os robots (Robotic Process Automation ) são máquinas programadas para executar tarefas até agora desempenhados por seres humanos. Os drones são também um dos elementos para modernizar a forma de monitorização de equipamentos, locais e situações específicas. A adoção de drones na indústria possibilita uma maior precisão e agilidade na inspeção de equipamentos de grande porte, obtendo evidências e dados que ajudam à tomada de decisão.

Economia digital em Portugal

Portugal está cada vez mais digital. Segundo dados da Associação da Economia Digital Portugal (ACEPI), em 2019, ¾ dos portugueses utilizava a Internet e, considerando o efeito da pandemia, a associação prevê que, em 2020, chegue a mais de 80% da população.

As compras online também estão, consequentemente, mais populares especialmente depois da pandemia. A ACEPI estima que 57% dos utilizadores de internet tenha feito compras online, em 2020, sendo que 60% dos habituais compradores aumentou o consumo através da internet.

A intensidade de compras na Internet aumentou com 73% dos compradores online a fazer em média mais do que 3 a 5 vezes compras por mês.

A percentagem de empresas com presença na Internet é agora 60% do número total de empresas, também por isso, compra-se agora mais em lojas online portuguesas e menos em sites estrangeiros.

O Estudo da ACEPI estima que o valor do comércio eletrónico (compras realizadas por consumidores portugueses), em 2020, chegue perto dos 8 mil milhões de euros, e nas vendas a outras empresas ou ao Estado, ultrapasse os 103 mil milhões de euros.

Desafios e Perigos

Para o emprego, o rápido desenvolvimento e adoção de tecnologias capazes de executar tarefas humanas será conveniente para o aumento da produtividade, mas eliminará vários postos de trabalho. No entanto, as máquinas não vão necessariamente reduzir a procura global de trabalho, mas transformar o tipo de funções procuradas. Neste sentido, é essencial que a força de trabalho se adapte às novas necessidades das empresas.

A cibersegurança torna-se mais relevante com a penetração tecnológica no nosso quotidiano. Sendo que estamos rodeados de software com as mais diversas funções, e o “ciberespaço” é cada vez maior. Estamos, inevitavelmente, mais vulneráveis a atividades maliciosas e uso indevido da tecnologia. Estes tipos de problemas criam receio na adoção de ferramentas digitais essencialmente devido à falta de conhecimento e falta de tempo e recursos para investir em cibersegurança.

Existe ainda uma variedade de problemas associados à transição online que só poderão ser contornados com legislação e regulamentação. Entre eles: regulamentação de base sobre as regras de funcionamento dos mercados, legislação para a segurança, proteção de dados, e relativa à propriedade intelectual e sobre standards (abertos).

Drone em modo voo. Foto: S. Hermann & F. Richter por Pixabay.
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