PONTA DELGADA RECEBE A PRIMEIRA PLANTA BIOTECNOLÓGICA DO MUNDO
A planta foi criada pela Algicel na unidade piloto do Parque Industrial dos Portões Vermelhos e oferecida à Câmara Municipal.
Manuel Ribeiro
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19 de Outubro 2021, 11:57
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A primeira planta biotecnológica do mundo foi concebida nos Açores pela Algicel, uma empresa de investigação açoriana especializada na produção de microalgas de água doce.

A produção da planta demorou dois meses e “resulta da combinação de duas tecnologias. Uma que é o painel solar e a outra que é o fotobioreactor, que está inoculado com microalgas”, explica ao EuroRegião, Luís Filipe Teves, engenheiro e um dos fundadores da empresa.

“Esta planta biotecnológica faz exatamente a mesma coisa que uma planta com o mesmo volume. Com cerca de 12 litros, a planta usa a luz solar no seu processo de fotossíntese: sequestra o CO2, que está no ar ambiente, e liberta oxigénio como outra planta qualquer”, refere o investigador com entusiasmo ao obter a primeira planta biotecnológica do mundo, “que tenha conhecimento”, acrescenta.

O antioxidante mais potente que se conhece

Com esta planta é possível produzir antioxidantes naturais que depois se podem aplicar em produtos naturais. “Neste caso, desenhamos esta planta para Microalgas e, obviamente, umas são mais adequadas do que outras”, afirma Luís Teves. “Por exemplo, aqui na Algicel produzimos uma microalga que se chama Haematococcus pluvialis, que passa por uma fase inicial vegetativa (a cor verde que vê na fotografia) e através da luz solar, ela começa a segregar um caracoloide que se chama Astaxantina, conhecida como o antioxidante mais potente que se conhece da natureza, até ao momento. Ela é verde e muda para a cor vermelha já que, normalmente, os antioxidantes são vermelhos”, esclarece.

A Astaxantina tem muitos benefícios para a saúde graças à sua atividade anti-inflamatória natural, “o que é excelente para as dores nas articulações”. De acordo com o investigador, trata-se de um antioxidante que reforça significativamente o sistema imunitário, sendo adequado no tratamento de doenças neurodegenerativas, cardiovasculares, doenças oculares, diabetes do tipo II. “É, também, excelente para a proteção da pele porque resulta de um mecanismo biológico de defesa da própria microalga que segrega essa substância para se proteger quando está exposta à luz solar”, acrescenta Teves.

A Algicel tem os seus produtos à venda em farmácias e parafarmácias a nível regional e nacional e “estão a tentar abrir novos canais de distribuição”, adianta o engenheiro que entrou na investigação das microalgas depois de um congresso sobre a temática.

Quanto à planta, que foi oferecida à Câmara Municipal de Ponta Delgada, será colocada num local bem visível para que “todas as pessoas que visitem a cidade e todos os habitantes de S. Miguel tenham a oportunidade de ver a concretização do que é a tecnologia aplicada à biologia, numa planta que faz exatamente o que uma árvore natural faz”, conclui o cocriador.

 

Foto: ©CMPD

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