A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) está a examinar uma petição com mais de 3.900 assinaturas a favor da reposição da decoração interior oitocentista do Museu Romântico do Porto.
A Extensão do Romantismo do Museu da Cidade do Porto, antigo Museu Romântico do Porto, reabriu portas a 28 de agosto, mas a remodelação da infraestrutura foi criticada por cidadãos e partidos políticos. Em resposta à reação negativa, numa reunião do executivo municipal, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, pediu desculpa pela forma como a reabertura do Museu foi comunicada, garantindo que “nada foi destruído”.
De acordo com a petição, agora sob análise da DGPC, “o espaço despiu-se dos adereços de casa burguesa oitocentista e vestiu-se de contemporaneidade.”
“Uma casa burguesa musealizada e com abertura ao público que mostrava como se vivia no Porto romântico oitocentista e que deu agora lugar a mais um espaço de contemporaneidade desintegrada como tantos outros e completamente dissociado da vivência original que (também e principalmente) constituía a sua riqueza patrimonial”, acrescenta.
Em declarações ao EuroRegião, Ana Motta Veiga, autora da petição, afirma que “O museu foi remodelado e despido da sua decoração interior integradora, menorizando-se todas as artes românticas suportadas pela arquitectura como é o caso do mobiliário fixo e móvel, das pinturas, das artes decorativas, dos têxteis, da iluminação e de tudo o que comportava o ambiente de época (que sendo ou não originais, evocam o seu Tempo), descaracterizando-se os espaços, as funções e as vivências que tão bem retratavam”, destacando ainda que “o Museu Romântico do Porto foi primeiro a ser criado de raiz pela Câmara Municipal do Porto, e que ao longo destes seus quase 50 anos de existência envolveu toda a comunidade também nos bens voluntariamente doados ou depositados para exposição pública tornando-se, de certa forma, num museu colaborativo e de envolvimento cívico com características bastante particulares e até sentimentais. Acumulava centenas de colecções (como se pode verificar no Guia de Colecções publicado em 2018). Rememorava também a última morada de exílio e local de morte do Rei Carlos Alberto de Piemonte e Sardenha, circunstância que faz parte da memória da cidade”
A organização da petição considera que ao despir o museu da sua decoração, onde se inclui mobiliário fixo e móvel, têxteis, iluminação ou artes decorativas, o espaço acaba por perder a sua identidade e o seu passado histórico, esperando que Porto volte a retratar “fisicamente e fielmente” a realidade doméstica burguesa oitocentista.
“Pela primeira vez se desmantelou na sua totalidade um museu público, que apesar de ser municipal faz parte da Rede Portuguesa de Museus. Foi uma decisão unilateral, sem justificação plausível, sem consulta pública ou às entidades patrimoniais”, afirma a autora que realça o facto este processo abriu um precendente grave, uma vez que põe “em risco outras colecções museológicas geridas por entidades públicas ou privadas, que podem igualmente vir a desaparecer. Apresenta-se o apelo público para a emissão de um parecer favorável à reposição do património perdido, bem como à tomada de medidas para a sua (presente e futura) salvaguarda.”, conclui.
