“FUTURO DO METRO DO PORTO DEPENDE DO SEU FINANCIAMENTO”
Revelação feita em entrevista à LUSA
Redação EuroRegião com LUSA
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6 de Dezembro 2022, 11:36
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A prioridade a estabelecer entre as futuras linhas da Metro do Porto será “determinada em função daquilo que é o envelope financeiro”, disse o presidente da transportadora, Tiago Braga, em entrevista à Lusa, assinalando 20 anos de serviço comercial.

“A prioridade vai ser determinada em função daquilo que é o envelope financeiro”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto, na sede da empresa que celebra os 20 anos do arranque do seu serviço comercial na quarta-feira.

Tiago Braga tinha sido questionado acerca de qual a prioridade para as futuras linhas do Metro do Porto, a construir após as atuais fases de prolongamento da Linha Amarela (em Vila Nova de Gaia), da construção da Linha Rosa (no Porto), da Linha Rubi (nos dois municípios), e do ‘metrobus’ (BRT – ‘Bus Rapid Transit’) da Boavista (Porto).

“Nós temos a linha de Gondomar até ao Souto, que é uma linha prioritária. Temos a questão da reposição do serviço para a Trofa, que é um serviço, como sabem, que temos vindo a apresentar com um modelo híbrido, com um prolongamento do canal ferroviário até à estação de Muro/Serra e depois em BRT até à Trofa”, elencou.

Continuando a enumeração, referiu-se à linha de São Mamede de Infesta, importante “porque também garante uma duplicação de acesso ao PMO [Parque de Material e Oficinas] de Guifões”, em Matosinhos, e ainda “à própria segunda linha da Maia”.

“E uma linha que é muito importante para nós, que é a continuação – que um dia chegará a Campanhã – da Linha Rosa. Nós só estamos a fazer, das três fases, a primeira fase, entre a Praça da Liberdade e a Casa da Música”, apontou o responsável da Metro do Porto, recordando a atual empreitada.

Questionado sobre prazos para o arranque das novas linhas, o presidente da transportadora remeteu para o Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030, esperando ver “qual a dotação orçamental” destinada à Metro para os definir.

“Estamos a desenvolver essas linhas em termos de projeto preliminar, em termos de traçado, de localização das estações. Temos o perfil geotécnico já definido. Estamos a ganhar maturidade. O levantamento cadastral, o levantamento patrimonial, todas as questões estão a ser trabalhadas no sentido de, assim que houver financiamento assegurado, nós podermos avançar com os projetos a nível de anteprojeto”, disse à Lusa.

O responsável referiu que “muito provavelmente” a Metro vai optar pela abordagem de conceção/construção, “um modelo muito parecido com aquele que é o do BRT”.

Tiago Braga, presidente desde 2019 e com mandato até 2025, relembrou que a empresa, “neste momento, tem um pacote de investimento de cerca de mil milhões de euros”, que “só tem paralelo com o início da vida da Metro do Porto”.

“Acontece é que há uma diferença, e que não é uma diferença de pormenor. Há 20 anos, quando tínhamos um nível de investimento desta dimensão, não transportávamos os mais de 60 milhões de validações”, apontou.

Fernando Veludo e José Coelho (fotos)

De resto, Tiago Braga apontou precisamente esse número como a estimativa para fecho do ano de 2022, um valor bem acima dos 39,3 milhões de 2020 e 41,6 milhões de 2021, anos marcados pela pandemia de covid-19, mas ainda abaixo do recorde de 2019 (71,3 milhões de validações).

O ano de 2022 deverá fechar, também, com a chegada do primeiro novo veículo adquirido à chinesa CRRC, “entre o dia 15 e 17 de dezembro”.

À Lusa, o presidente quantificou também em 2.200 milhões de euros os benefícios sociais e ambientais gerados pela empresa ao longo dos anos.

Para Tiago Braga, o Metro do Porto, “de facto, transformou e ajudou a transformar a cidade grande, o Grande Porto”.

“Acredito mesmo que o Metro, para além de ser um agente de transformação, de descarbonização de cidade, é claramente um agente de coesão social. Não é territorial, é social”, disse à Lusa.

O presidente da Metro do Porto releva o papel de conseguir, por 40 euros por mês, transportar “uma pessoa de Vila d’Este [Gaia] até à Póvoa de Varzim, ou da Póvoa de Varzim até à Trindade [Porto]”.

“Essas pessoas que, em circunstâncias normais, teriam de despender muito mais dinheiro para fazer as suas deslocações passam a ser mais competitivas no mercado de trabalho”, apontou.

Para Tiago Braga, “o transporte, a mobilidade, não é só uma questão de descongestionamento, que é uma questão importante, ou de descarbonização, que é uma questão importante”, mas sim “também uma questão de desenvolvimento, e de desenvolvimento também social”.

Em termos pessoais, considera que ser presidente da Metro do Porto é “um exercício de compromisso total e absoluto”, de foco exclusivo, sendo “o projeto de uma vida”.

“Perante as dificuldades, o estímulo que nós temos, que nós procuramos transmitir à própria equipa, é que esta é uma oportunidade de uma vida de ajudar a transformar a nossa terra”, sublinhou à Lusa.

Questionado sobre se um dia tenciona regressar a uma casa que bem conhece do outro lado do rio Douro, a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, onde já foi chefe de gabinete do atual presidente, Tiago Braga ironizou.

“Eu volto todos os dias ao outro lado do rio a uma casa que conheço, que é a minha casa. Isso volto”, respondeu, considerando que “quando se está num lugar e se está a pensar noutros lugares, normalmente a coisa não corre bem”.

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