NUNO FREITAS DEMITE-SE DO CARGO DE PRESIDENTE DA CP
O ministro das Infraestruturas lamentou a saída do “melhor presidente” da história da CP por dificuldades burocráticas na gestão da empresa.
Redação
Texto
29 de Setembro 2021, 14:28
summary_large_image

O presidente da CP, Nuno Freitas, vai deixar o cargo na próxima sexta-feira (01/10), três meses mais cedo do que o esperado. Em declarações ao jornal Público, o gestor esclarece que a saída não está relacionada com qualquer desavença interna, mas com “o fim de uma missão”.

“Formalmente é uma demissão, mas, na prática, é o fim de uma missão (…) Estamos mesmo no final, entendi que estes três meses não seriam relevantes para o desenvolvimento do trabalho que eu e o conselho de administração levámos a cabo”, disse.

Nuno Freitas foi escolhido pelo Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, para assumir o cargo, há dois anos. Agora, considera que a saída antecipada permitirá uma “passagem de testemunho tranquila” para a próxima administração.

“Concluído o trabalho a que me propus, solicitei a antecipação do fim desse mandato em três meses. Depois de expor pessoalmente a minha vontade e razões ao senhor ministro, obtive o seu acordo para antecipação da minha saída”, explica.

Apesar de afirmar que cumpriu os objetivos, lamenta não ter conseguido sanar a dívida da CP (superior a 2,1 mil milhões de euros) e tirar a empresa do perímetro orçamental do Estado. “Enquanto estes dois pressupostos não estiverem minimamente controlados, a CP enfrentará grandes dificuldades processuais”, concluiu.

O ministro Pedro Nuno Santos admitiu que a saída de Nuno Freitas foi motivada por problemas burocráticos que dificultavam a gestão da empresa.

“Eu conheço as razões do engenheiro Nuno Freitas há muito tempo, não são de agora. É muito difícil gerir uma empresa pública com as regras que nós temos. E é muito difícil pedirmos a um grande gestor, homem sério, de grande capacidade de trabalho e de realização, que fique muito tempo numa empresa que não consegue ter um Plano de Atividades e Orçamento aprovado, que tem uma dívida histórica acumulada gigantesca e que não pode ser saneada, portanto retirando capacidade e autonomia de gestão à empresa, que demora meses para ter uma autorização para comprar umas rodas. É absolutamente compreensível o desalento do presidente da CP”, disse Pedro Nuno Santos aos jornalistas, durante a cerimónia de consignação das empreitadas de modernização da ligação entre Sines e a Linha do Sul.

“Nós perdemos hoje o melhor presidente que a CP já teve em toda a sua história. O engenheiro Nuno Freitas estava a liderar uma revolução na CP, a fazer um trabalho extraordinário, a permitir que o Estado poupasse milhões de euros com a recuperação de material que nós estávamos a fazer. É uma grande perda para a CP, uma grande perda para mim, é uma grande perda para o Estado português”, concluiu.

O vice-presidente da CP Pedro Moreira deverá assumir agora o cargo de presidente.

  Comentários