DESFLORESTAÇÃO: AGROPECUÁRIA É A GRANDE CULPADA
Estudo revela que o setor da agropecuária é culpado por 90% da desflorestação e desmatamento mundial.
Maria João Silva
Texto
12 de Setembro 2022, 15:52
summary_large_image

Um estudo da Chalmers University of Technology, da Suécia, revelou que entre 90% e 99% de todo o desmatamento nos trópicos é causado direta ou indiretamente pela agropecuária.

“Nossa análise deixa claro que entre 90 e 99 por cento de todo o desmatamento nos trópicos é causado direta ou indiretamente pela agropecuária, mas o que nos surpreendeu foi que uma parcela comparativamente menor do desmatamento – entre 45 e 65 por cento – resulta na expansão da produção agrícola real nas terras desmatadas. Essa descoberta é de profunda importância para criar medidas eficazes para reduzir o desmatamento e promover o desenvolvimento rural sustentável”, diz Florence Pendrill, principal autora do estudo.

Segundo a mesma fonte, o impacto do setor no processo de desflorestação não é uma novidade já que, entre 2011 e 2015, cerca houve, anualmente, entre 6,4 a 8,8 milhões de hectares de floresta a serem convertidos em terrenos agrícolas. Assim, de acordo com o estudo, “iniciativas setoriais para combater o desmatamento podem ter um valor inestimável, e novas medidas para proibir a importação de commodities ligadas ao desmatamento nos mercados consumidores – como as que estão em negociação na UE, Reino Unido e EUA – representam um grande passo para além dos esforços quase todos voluntários até agora para combater o desmatamento”, disse Toby Gardner do Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo.

“No entanto, como mostra o nosso estudo, fortalecer a governança florestal e do uso da terra nos países produtores deve ser o objetivo final de qualquer resposta política. As cadeias de fornecimento e as medidas de sustentabilidade tomadas pelos consumidores precisam ser concebidas de maneira que também lidem com as formas indiretas através das quais a agropecuária está ligada ao desmatamento. Eles precisam levar a melhorias no desenvolvimento rural sustentável, caso contrário as taxas de desmatamento permanecerão teimosamente altas em muitos lugares”, acrescentou.

Assim, o estudo realça a necessidade de desenvolver parcerias entre produtores e mercados consumidores e governos para assim construir um setor mais sustentável mencionando que, neste momento, existem três lacunas no setor da pecuária: “a primeira é que, sem uma base de dados global e temporalmente consistente sobre desmatamento, não podemos ter certeza sobre as tendências gerais de conversão. A segunda é que, com exceção do dendê e da soja, carecemos de dados sobre a cobertura e expansão de commodities específicas para saber quais são mais importantes. A nossa compreensão global sobre pastagens é das que mais precisam de melhoria. A terceira é que sabemos comparativamente muito pouco sobre florestas tropicais secas e sobre as florestas na África”, disse Martin Persson, docente da Chalmers University of Technology.

Apesar dessas lacunas de conhecimento e incertezas remanescentes, o estudo enfatiza que uma mudança radical nos esforços é urgentemente necessária para combater e conter efetivamente o desmatamento, assim como para evitar a conversão de outros ecossistemas e promover o desenvolvimento rural sustentável.

  Comentários