“A crise das matérias-primas pode estar a agravar o desvio de equipamentos elétricos usados”. É o que relata a Associação de Gestão de Resíduos (Electrão) depois de ter colocado 104 GPS em eletrodomésticos velhos, colocados na via pública e circuitos municipais para posterior recolha por parte dos serviços municipais. A Associação conclui que 75% destes equipamentos vai parar ao mercado paralelo, os restantes 25% dos aparelhos integraram o circuito formal e foram encaminhados para unidades licenciadas para a reciclagem destes equipamentos.
“Em cada um dos aparelhos foi instalado um GPS, os equipamentos foram distribuídos por 33 concelhos e 10 distritos e o seu percurso foi monitorizado em tempo real”, descreve a associação em comunicado.
O fenómeno de desvio de materiais dos equipamentos elétricos usados é agravado pelo problema do fornecimento de materiais, que começou a sentir-se durante o auge da pandemia e intensificou-se depois da invasão da Ucrânia por parte da Rússia, já que estes dois países são também grandes fornecedores de matérias-primas, incluindo metais.
Alguns destes metais, nomeadamente, o alumínio ou o cobre, são valiosos e estão a ser cada vez mais procurados nos circuitos informais. “O problema é que estes equipamentos usados têm também componentes perigosos. Ao serem desviados das unidades de reciclagem, que garantem a sua descontaminação, estes equipamentos elétricos são transformados em sucata metálica, em processos que não acautelam a proteção da saúde humana e do ambiente”, alerta a Associação.
Os equipamentos velhos mais procurados pelo mercado negro são os frigoríficos, torres de computadores, máquinas de lavar e fogões. A Electrão declara que reportou o caso à Inspeção Geral da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (IGAMAOT), a entidade responsável pela fiscalização, de forma a possibilitar a identificação dos agentes e circuitos do mercado paralelo.
