Em 2020, Portugal foi o 11º país da União Europeia (UE) que mais produziu energias renováveis, mas cerca de dois terços da energia consumida no país é importada.
Segundo os dados revelados pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e citados pelo Jornal de Negócios, a Estónia foi o país do bloco europeu com menos dependência no que diz respeito à importação de energia no ano de 2020, sendo esta variável liderada pela Malta, Chipre e Luxemburgo, enquanto Portugal está em 11.º lugar, acima da média da UE (58%).
Ainda no setor da energia, em 2021, as famílias portuguesas pagavam o 6.º preço mais caro da UE, valor significativamente mais elevado ao que foi pago pela indústria, já que, neste setor ocupa o 14º lugar, sendo apenas superado por países como a Roménia, Alemanha, Polónia, Espanha e República Checa.
Em 2020, a União Europeia produziu 573,8 milhões de toneladas de petróleo (tep), sendo que França (21%), Alemanha (17%), Polónia (10%), Itália (7%), Espanha e Suécia (6%) os estados-membros que mais contribuíram para esse valor. No mesmo período, o consumo de energia primária, energia disponível na natureza antes de ser convertida ou transformada, desceu 10% face a 1990, sendo que Portugal é um dos poucos países onde se verificou o processo inverso, já que, em território luso se registou um aumento no consumo (29%) desta energia.
“Dos 27 países da UE, 11 aumentaram este consumo. Portugal foi o 6.º país que mais aumentou o consumo de energia final (26%), embora desde 2007 esteja numa trajetória decrescente. Deste modo, conseguimos superar a meta 2020 a que nos tínhamos proposto: em 2020 consumimos 15 milhões de tep, quando a meta era não ultrapassar os 17,4 milhões de tep nesse ano”, indica o relatório, podendo também ler-se que “Portugal foi o terceiro país da União Europeia que mais produziu energia renovável no total da energia produzida (98%). Portugal foi o quinto país da União Europeia que mais consumiu energias renováveis no total do consumo final de energia (34%)”.
No entanto, a Alemanha foi o país que mais contribuiu para a produção de energia primária através de fontes renováveis, representando um quinto da energia produzida pelos países europeus. Ao nível da energia renovável, a mais produzida foi a biomassa (57%), seguindo-se a energia eólica (15%), hídrica (13%), solar (7%) e geotérmica (3%).
No caso português, destacou-se também a biomassa (51%), energias eólica e hídrica (ambas com 16%), solar (4%) e geotérmica (3%).
Vale a pena relembrar que, tal como o EuroRegião noticiou no final de abril, Portugal e Espanha assinaram um acordo com a Comissão Europeia para limitar os preços do gás natural na península ibérica.
