A Linha da Beira Alta, que está com a circulação cortada desde o dia 19 de abril, está a ser sujeita a obras de modernização que exigem um investimento superior a 500 milhões de euros.
José Carlos Clemente, diretor de Empreendimentos da Infraestruturas de Portugal (IP), quando questionado sobre o impacte da pandemia da COVID-19 e da guerra na Ucrânia, afirmou que a empreitada atravessa “um período muito mau”, uma vez que “toda a cadeia de fornecimento foi fortemente prejudicada por essa situação”, nomeadamente a entrega de catenárias e os cabos de sinalização que estão com “problemas com prazos de aprovisionamento e prazos de entrega”.
Além disso, segundo o responsável, a revisão de preços “não responde por inteiro, principalmente a estas situações de aumento drástico de valores”, mas refere que “o Governo está a preparar uma lei que vai permitir dar uma maior abertura e uma maior flexibilidade para que as empresas públicas tentem minimizar esse problema”, acrescentou.
Obviamente que nós, enquanto empresa pública, estamos sujeitos às leis que regem a contratação pública. O único instrumento que nós temos para tentar reparar alguma situação é a revisão de preços”, esclareceu José Carlos Clemente.
De acordo com a mesma fonte, a empreitada na infraestrutura inclui a construção da concordância da Mealhada (Pampilhosa), ou seja, uma ligação direta entre a Linha do Norte (sentido Norte/Sul) e a Linha da Beira Alta, e ainda a renovação integral da infraestrutura da via, incluindo algumas variantes para aumento de velocidade.
O responsável referiu ainda que “a última grande intervenção foi há cerca de 30 anos” e que a Linha da Beira Alta “já estava cheia de mazelas” que implicavam uma circulação mais lenta. A nova intervenção vai permitir aumentar a velocidade de circulação e ter “um ganho de 25 a 30 minutos nos comboios de passageiros”.
Atualmente, devido ao encerramento da infraestrutura, está a ser executado “um desvio de tráfego de mercadorias significativo pela Linha da Beira Baixa” e “o transbordo de passageiros por meios rodoviários”, concluiu o diretor de Empreendimentos da IP.
Vale a pena relembrar que a Linha da Beira Baixa, tal como o EuroRegião noticiou, tem vindo a assumir um papel de destaque não só por colmatar o impacte do encerramento da Linha da Beira Alta, mas também por se apresentar como uma forte proposta de turismo ferroviário após ter sido alvo de intervenções de reabilitação entre 2009 e 2021.
