O concelho de Ovar vai avançar para a desagregação da única união de freguesias da região, uma vez que o modelo criado em 2013 se revelou ineficaz.
Em causa está a União de Freguesias de Ovar, São João de Ovar, Arada e São Vicente Pereira que pretende beneficiar da Lei n.º 39/2021 de 24 de junho, diploma que revoga a legislação na base da reforma administrativa que entrou em vigor desde as eleições autárquicas de 2013.
No entanto, a medida já há muito que é contestada. “Isto nunca funcionou bem porque a união de freguesias ficou com uma dimensão enorme, de 89 quilómetros quadrados, o que representa mais de metade dos 148 quilómetros do concelho inteiro e também mais de 50% dos seus 55.400 habitantes”, explicou Bruno Oliveira, presidente da União das Freguesias de Ovar, São João, Arada e São Vicente, em declarações à Lusa.
Segundo a mesma fonte, o orçamento dessa União sempre envolveu “o acumulado das verbas que estavam disponíveis para cada freguesia, mas que no campo dos recursos humanos a adaptação à modalidade de gestão nunca foi suficiente para responder às necessidades das populações.
“Um dos aspetos mais visíveis do estado da gestão de uma localidade é a limpeza das suas ruas e áreas públicas, e com a agregação das freguesias tornou-se muito difícil conseguir a qualidade de serviço que se tinha antes porque não há recursos humanos suficientes”, afirmou o edil, acrescentando que “cada uma das nossas freguesias tem especificidades muito próprias e, apesar de termos mantidos balcões de atendimento em cada uma, o descontentamento foi grande porque a população deixou de contactar com os eleitos locais e de se sentir ouvida nos seus problemas”, disse.
De acordo com o presidente da União de Freguesias, a proposta de desagregação administrativa das freguesias de Ovar, São João de Ovar, Arada e São Vicente Pereira vai a votação na Assembleia de Freguesia já no próximo mês. “Nesta fase todos estão de acordo quanto à desagregação, mas mesmo assim todos os partidos terão alguns dias para avaliar o estudo e se pronunciarem sobre o que considerarem pertinente, de forma a que mais tarde não haja qualquer argumento para mudarem de opinião e chumbarem a proposta”, realçou Bruno Oliveira.
Após a análise local o assunto seguirá para votação na Assembleia Municipal de Ovar e, posteriormente, para o Parlamento.
Fotografia: Joseolgon
