28 Mar 2022, 17:00 Na semana passada deram-se por concluídas, finalmente, as eleições legislativas de 2022, após a repetição da votação do círculo pela Europa, que reforçou a maioria absoluta do PS para 120, dos 230 deputados que compõe o Hemiciclo. Pouco faltaria então para se saber a composição do novo Governo. A lista de ministros seria dada a conhecer, em primeiro lugar, ao final da tarde de quarta-feira, ao Presidente da República. No entanto, verificou-se uma fuga de informação para a comunicação social, que deixou bastante desagradado Marcelo Rebelo de Sousa. Terá sido uma vichyssoise de António Costa?
Fernando Medina, como ministro das Finanças, significa um “yes man” no Terreiro do Paço, às ordens de São Bento
Da lista de ministros, destaque-se que, de facto, a nota dominante é o pendor eminentemente político do executivo proposto. E se isso, porventura, é cómodo para a gestão política de António Costa, o preço a pagar é o desgaste que traz logo à partida. Algo como comprar um carro novo mas com os pneus gastos. Marta Temido é um dos casos paradigmáticos. Tendo sido figura de proa na questão da COVID que, felizmente, parece estar a terminar, terá agora, com quase quatro anos em funções, de enfrentar os prementes problemas estruturais, no setor da saúde, que foram ficando para trás. Numa altura em que PCP e BE precisam de dar prova de vida, não se antevê vida fácil perante as reivindicações que os vários setores da saúde farão.
Fernando Medina, como ministro das Finanças, significa um “yes man” no Terreiro do Paço, às ordens de São Bento. Para além de se “recauchutar”, ao derrotado à Câmara de Lisboa, não se lhe conhece predicados, na área das Finanças, adequados para lidar com as contas públicas no pós-Covid e quando grassa um conflito na Europa. Ainda para mais, quando os juros a dez anos da República Portuguesa continuam, paulatinamente, a subir, tendo já cruzado os 1,3%. António Costa sabe perfeitamente a escolha que fez, pelo que acredito que o motivo é o de não ter um “duro” no cargo e poder dar primazia à Economia. É uma opção política. Que é coerente com a escolha de António Costa e Silva, o arquiteto do PRR. Esperemos, pois, que as previsões, anunciadas esta semana por João Leão de que, em 2022, a divida pública irá baixar para 120,8% do PIB e que com o seu sucessor (Medina) cumpra o objetivo do Programa de Estabilidade 2022-26 que aponta para um divida próxima dos 100% do PIB no seu término. Aguardemos…
A escolha de Pedro Adão e Silva é, porventura, outro dos maiores erros de casting
A escolha de Pedro Adão e Silva é, porventura, outro dos maiores erros de casting. Ao trazer para o Governo alguém que é comentador político na RTP e na TSF, habitual colunista em jornais, comentador desportivo na SportTV, foi recentemente candidato a vice-presidente do Benfica na lista de Noronha Lopes, contra Luís Filipe Vieira, era atualmente o comissário executivo dos 50 anos do 25 de Abril. Não parece ser particularmente competente na parte executiva, visto ter-se esquecido de convidar Ramalho Eanes para a sessão inaugural das referidas comemorações, ocorridas, também, na passada quarta-feira. Numa época em que muito se fala de que não se deve alimentar populismos que podem levar a extremismos, não se pode deixar de referir que a inclusão dum “tudólogo”, como Adão e Silva, no Governo alimentará a narrativa da distribuição de “tachos”, que tanto alimenta o imaginário político lusitano. As forças antissistema agradecem.
a inclusão dum “tudólogo”, como Adão e Silva, no Governo alimentará a narrativa da distribuição de “tachos”, que tanto alimenta o imaginário político lusitano
E se a atualidade é dominada, em grande parte, pela estoica resistência ucraniana à invasão russa, não devemos obviar que poderemos ter em território português uma pequena crise. Isto porque na Ilha de São Jorge, nos Açores, o nível de vulcânico encontra-se em V4 (ameaça de erupção) após o continuo de sismos sentidos. O que já levou a mais de dois milhares de pessoas terem já abandonado, preventivamente, a ilha. Como referiu Marcelo Rebelo de Sousa, no domingo, em visita ao CIVISA, na ilha de São Jorge, não se deve entrar em alarmismos pois a situação está a ser devidamente acompanhada. Tendo em conta que já entrámos no horário de Verão, abracemos a disposição estival para lidarmos com a tranquilidade e serenidade possível tudo aquilo que 2022 já nos trouxe, em apenas três dos seus doze meses.

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