PEDRÓGÃO GRANDE PODE REPETIR-SE, ALERTA EX-COMANDANTE
Segundo o antigo comandante distrital de operações de socorro, “aprendemos muito pouco com 2017 e estamos à mercê das condições meteorológicas”.
Redação
Texto
23 de Março 2022, 17:00
summary_large_image

Durante a sessão do julgamento para apurar eventuais responsabilidades criminais nos incêndios de Pedrógão Grande, que decorreu durante o dia de ontem no Tribunal Judicial de Leiria, o antigo comandante distrital de operações de socorro (CODIS) lamentou que Portugal tenha apreendido “muito pouco” com os incêndios de 2017.

“Aprendemos muito pouco com 2017 e estamos à mercê das condições meteorológicas. O que aconteceu em Pedrógão Grande poderá acontecer em qualquer parte do território”, alertou Sérgio Gomes.

A testemunha, chamada pela defesa, considera que “os incêndios não se combatem, previnem-se” e que o país tinha “obrigação de apostar mais na prevenção”.

Sérgio Gomes, que foi acusado de 63 crimes de homicídio por negligência e 44 crimes de ofensa à integridade física por negligência, 14 dos quais grave, não será julgado por ordem do juiz, em sede de instrução, devido à “anormalidade do incêndio e o domínio do evento após o seu recrudescimento”.

Na sequência do incêndio, o antigo CODIS afastou-se do cargo e é agora diretor de uma empresa de prevenção e combate a incêndios florestais.

Segundo o seu depoimento, no dia do incêndio os seus “oito primeiros contactos foram para pessoas que não estavam disponíveis”, lembrando que Portugal utiliza um “sistema assente no voluntariado, que não significa incompetência, mas depende da disponibilidade”.

Quanto à utilização do sistema AROME, que faz a previsão meteorológica específica para um local, Sérgio Gomes respondeu que se dá “muito ênfase” a esta ferramenta, “mas, em termos de operação, vale muito pouco”, pois é “muito limitativa”, não incluindo, entre outros fatores, a orografia do terreno.

“Naquela realidade, nada fazendo prever aquele desfecho, só puro ato de adivinhação”, acrescentou.

  Comentários