MORADORES NÃO ESTÃO PREOCUPADOS COM AS FILMAGENS DA NETFLIX
O grupo de moradores ouvidos pelo EuroRegião considera a postura da Junta “exagerada” e “precipitada”.
Beatriz Abreu Ferreira / Manuel Ribeiro
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28 de Fevereiro 2022, 12:00
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Na sequência das declarações da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, que alertou para o “impacto negativo” das filmagens da Netflix previstas na zona da Baixa, Chiado e Mouraria, nomeadamente as consequências para a “qualidade de vida, direito ao descanso e tranquilidade e direito à mobilidade dos moradores das zonas contempladas”, o EuroRegião ouviu os moradores da freguesia que consideram “exagerada” a posição do Executivo de Miguel Coelho. 

Começando por agradecer tanto cuidado da Junta de Freguesia como o da Câmara Municipal, Paula Fidalgo, administradora do grupo Vizinhos de Santa Maria Maior, afirma que das opiniões que lhe têm chegado, a generalidade dos moradores não está preocupada com as filmagens. 

“Esta é uma freguesia que vive intensamente os Santos Populares, em que durante um mês vive com o barulho ininterruptamente, e onde sempre aconteceram este tipo de eventos, gravações, anúncios e campanhas. Inclusivamente, no último mandato aconteceu por várias vezes as estradas serem cortadas para gravações, seja de anúncios, videoclips, novelas, e gravações que acontecem quase sempre no final da tarde ou início da manhã, e o presidente da Junta Miguel Coelho nunca se lembrou de as questionar,” argumenta. 

De acordo com a representante do grupo informal, as gravações que impliquem mais barulho, incluindo efeitos de fogo, uso de armas de fogo, colisões entre automóveis, perseguições com automóveis e motociclos, perseguições de motociclos pelas escadas e escadinhas dos bairros, serão “gravadas ao final da tarde de sexta-feira e de sábado” de modo a evitar o barulho. 

Por esse motivo, “neste momento, achamos a posição da Junta algo exagerada e precipitada”, sublinha. 

Não deixando de esclarecer que o grupo de Vizinhos não representa oficialmente os moradores e baseando-se apenas na recolha de opiniões a que teve acesso – devido à sua função enquanto administradora – Paula Fidalgo considera que “os moradores nunca se opuseram a este tipo de gravações, pelo contrário, até as veem com bastante orgulho e procuram acompanhar aquilo que é gravado na freguesia”. 

A representante do grupo de cidadãos aproveitou ainda para referir que aquilo que a preocupa relativamente aos problemas de mobilidade na freguesia é o estado de degradação das estradas, que muitas vezes se tornam inseguras para os utilizadores. “Não compreendemos como é que o presidente Miguel Coelho ainda não fez uma reclamação à Câmara pelo estado das estradas na freguesia, que prejudica não só os moradores, como todos aqueles que querem desfrutar desta zona histórica da cidade,” conclui.

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