"É O PRESIDENTE PUTIN QUE ESTÁ A TRAZER A GUERRA DE VOLTA PARA A EUROPA"
Ursula von der Leyen condena o “ataque bárbaro" à Ucrânia e "os argumentos cínicos” de Putin “para o justificar”, disse em conferência de imprensa.
Manuel Ribeiro
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24 de Fevereiro 2022, 17:12
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Desde a madrugada desta quinta-feira (24/02) que a Rússia está a colocar em marcha um plano de invasão sobre a Ucrânia.

Ainda não é claro desde quando Vladimir Putin planeava um ataque em larga escala sobre um Estado soberano, mas as movimentações das tropas russas, nas últimas semanas, junto à fronteira com a Ucrânia previam que algo estava para acontecer. Os EUA tinham avisado das intenções da Rússia, embora Putin tenha sempre declarado se tratarem de “exercícios militares”, juntamente com a Bielorrússia, país vizinho e parceiro do Kremlin, deixando em aberto a via diplomática.

Na madrugada de 24 de fevereiro, horas depois do discurso do Presidente da Ucrânia – que falou em ucraniano e em russo – apelando diretamente ao povo da Rússia que tudo fizesse para impedir os atos de Vladimir Putin, fechava-se a via diplomática. A Rússia invade a Ucrânia.

A reação, por parte da Comissão Europeia, surgiu esta manhã: “Mais uma vez, no centro da Europa, mulheres, homens e crianças inocentes morrem ou temem pelas suas vidas. Condenamos este ataque bárbaro e os argumentos cínicos para o justificar”, disse a Presidente da União Europeia, a partir de Bruxelas, em reação aos acontecimentos desta madrugada.

“A União Europeia e o seu povo apoiam a Ucrânia e o seu povo”, disse von der Leyen desde Bruxelas. “Estamos perante um ato de agressão sem precedentes por parte dos dirigentes russos contra um país soberano e independente. O alvo da Rússia não é apenas Donbass, o alvo não é apenas a Ucrânia, o alvo é a estabilidade na Europa e toda a ordem de paz internacional. E vamos responsabilizar o Presidente Putin por isso”, avisou a Presidente da União Europeia.

“Esta é a hora mais negra para a Europa desde a segunda guerra mundial”, afirmou Josep Borrell Fontelles, Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança. “Uma nação com poder nuclear atacou outra nação vizinha ameaçando todos os outros países que forem em seu auxilio, não é apenas uma violação da lei internacional mas a violação dos princípios básicos da coexistência humana. Está a custar muitas vidas com consequências desconhecidas sobre o que aí vem”, alertou Fontelles.

“A União Europeia vai responder dentro do que for possível. Como Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança estarei em contacto permanente com os nossos parceiros mundiais para assegurar que a comunidade internacional pressione a Rússia a parar imediatamente com as agressões, intoleráveis. Isto não se trata de blocos (Ocidente contra Oriente) nem jogos diplomáticos, é uma matéria de vida e morte, é sobre o futuro da comunidade global.

Tentámos todos os meios diplomáticos, mas a Rússia preferiu a guerra de forma premeditada e unilateral. Estaremos unidos entre todos os parceiros, transatlânticos e europeus. Dizemos não à violência, não aos jogos de guerra. Estamos com o povo da Ucrânia”, afirmou Fontelles esta manhã na companhia de Ursula von der Leyen.

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