FILMAGENS DA NETFLIX PODEM VIOLAR DIREITO AO DESCANSO E À MOBILIDADE
As filmagens em Lisboa durarão 8 noites e 2 dias, com o corte do trânsito a partir das 18h, e uso de efeitos particularmente barulhentos como armas de fogo, colisões entre automóveis e perseguições.
Redação
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22 de Fevereiro 2022, 12:38
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A Junta de Freguesia de Santa Maria Maior está preocupada com as perturbações causadas ao descanso e mobilidade dos moradores, pelas filmagens de uma produção para a Netflix, que deverá cortar o trânsito na Baixa da cidade de Lisboa durante oito noites e dois dias.

“O Executivo da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior manifesta a sua apreensão e oposição face à possibilidade de ocupação abusiva do espaço público prevista num plano de filmagens noturnas apresentado pela produtora Ready to Shoot, numa produção para a Netflix, pelo impacto negativo que estas filmagens – oito noites seguidas e dois dias – causarão na qualidade de vida, no direito ao descanso e tranquilidade e no direito à mobilidade dos moradores das zonas contempladas,” afirmam.

Segundo informação da Junta de Freguesia, as filmagens estão agendadas para o mês de julho, e durante as oito noites irão decorrer no horário compreendido entre as 18h00 e as 08h00 do dia seguinte.

O Executivo local está particularmente preocupado com os efeitos de fogo, uso de armas de fogo, colisões entre automóveis, perseguições com automóveis e motociclos, e perseguições de motociclos pelas escadas e escadinhas dos bairros e outros diversos efeitos especiais na Baixa, Chiado e Mouraria previstos durante as filmagens, por considerar que “não deixarão de provocar um grande incómodo para a população residente, sobretudo para as famílias com crianças e para os idosos”.

“Está em causa o direito ao descanso dos moradores, assim como os direitos de circulação, acesso e estacionamento, em consequência da ocupação massiva que as filmagens acarretam,” lamentam.

Apesar da Junta não ter, no âmbito das suas competências legais, “poderes para impedir estas filmagens tal como estão previstas”, uma vez que se trata de uma competência da Câmara Municipal de Lisboa, anuncia estar “disponível para encontrar uma solução razoável, mas não para assumir uma postura de subserviência a tudo o que vem proposto pelos diversos impérios culturais da moda”, disse em comunicado.

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