Em período de campanha para as eleições legislativas, António Costa acenou ao eleitorado com a promessa de debater a possibilidade de encurtar a semana de trabalho para quatro dias. A proposta pode ter apanhado alguns de surpresa, mas, na verdade, a sugestão dos socialistas reflete uma tendência global, e tem sido um caso de sucesso em vários países.
Após dois anos de pandemia, o mundo é agora um lugar diferente, nomeadamente na forma como trabalhamos e, se a reforma no sistema laboral já era discutida em vários países, os novos métodos de trabalho à distância reacenderam o debate, incluindo o da flexibilidade de horários.
Emirados Árabes Unidos
Habituados a liderar na inovação e modernidade, desta vez, os Emirados Árabes Unidos (EAU) surpreenderam não pela grandeza dos seus edifícios, mas por serem o primeiro país do mundo a encurtar a semana de trabalho.
Desde de janeiro de 2022 que o horário de trabalho da função pública passou a ser de apenas quatro dias e meio, ou seja, o fim-de-semana começa a partir do meio dia de sexta-feira. Assim, os funcionários do Estado vão passar a trabalhar menos três horas e meia por semana, uma vez que o horário de trabalho nos EAU é das 07h30 às 15h30, usufruindo de mais tempo de descanso.
Segundo o comunicado do Governo de Abu Dabi, a mudança está “alinhada com a visão dos Emirados Árabes Unidos de aumentar sua competitividade global nos setores económicos e comerciais e acompanhar o desenvolvimento global”.
Islândia
A mudança ainda não foi oficializada, mas 86% dos trabalhadores islandeses já trabalham menos horas. Desde 2015 que a Islândia pondera reduzir a semana de trabalho e, segundo um teste com 2500 participantes de vários setores, cerca de 1% da força laboral, encurtar a semana aumentou a produtividade e o índice de felicidade dos trabalhadores.
Na verdade, o sucesso das experiências realizados na Islândia tem inspirado vários países a experimentar esta abordagem – este foi o caso da Escócia.
Escócia
A Escócia é um dos vários países que iniciou oficialmente um período de testes à semana de trabalho de quatro dias. Para isso, o país vai reduzir o número de horas de trabalho em 20%, sem qualquer redução salarial para os trabalhadores, com um investimento estimado de 10 milhões de libras por parte do Partido Nacional Escocês.
O movimento global para encurtar a semana de trabalho está a conquistar cada vez mais países. Além da Escócia, a Espanha, o Japão e, recentemente, a Bélgica decidiram começar a testar o novo modelo de trabalho, ainda que cada um tenha adotado algumas variantes. Por exemplo, na Bélgica o número total de horas de trabalho não será reduzido, mas estas serão redistribuídas pelos restantes dias da semana, de modo a poderem descansar à sexta-feira.
