NANOPLÁSTICOS SÃO A NOVA AMEAÇA DOS ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS
Os cientistas da Universidade de Coimbra concluíram que os nanoplásticos são uma grande ameaça para as cadeias alimentares de pequenos ribeiros.
Maria João Silva
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11 de Fevereiro 2022, 11:42
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Cientistas da Universidade de Coimbra, em colaboração com a Universidade de Aveiro (UA) e a Konkuk University (Coreia do Sul), identificaram os impactos das concentrações de nanoplásticos em ecossistemas de água doce, tendo também concluído que concentrações elevadas de destes materiais são um grande risco para os ecossistemas. 

Segundo Seena Sahadevan, investigadora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), em pequenos ribeiros, a decomposição da matéria orgânica é um processo crucial, responsável pela transferência de energia e nutrientes na cadeia alimentar, uma vez que os hifomicetes são fungos capazes de modificar os componentes recalcitrantes da folha, melhorando assim a sua palatabilidade e qualidade nutricional para consumo de invertebrados.

De acordo com a investigadora, “a decomposição, reprodução e a abundância dos fungos são significativamente afetadas por baixas concentrações e tamanho dos nanoplásticos; as partículas de menor tamanho demonstram maior toxicidade”, acrescentando ainda que “apenas os nanoplásticos de menor tamanho impactaram a qualidade nutricional das folhas, aumentando a quantidade de ácidos gordos polinsaturados. Não houve alterações visíveis nas taxas de alimentação dos invertebrados, porém observámos um comportamento letárgico nos animais alimentados com folhas expostas a concentrações mais elevadas, indicando uma possível contaminação”, explicou. 

Os nanoplásticos são fragmentos de plástico com tamanho menor que 1000 nm (nanómetros) – aproximadamente o tamanho de um vírus – usados geralmente por indústrias farmacêuticas, de cosmética e produtos de limpeza, podendo também ser derivados da degradação dos macroplásticos usados no dia-a-dia. Segundo o estudo, estes fragmentos podem interagir com outras moléculas e organismos presentes no ambiente. 

Este estudo fornece “novos insights sobre os grandes riscos que os nanoplásticos apresentam para o bom funcionamento dos ecossistemas de água doce”, conclui Seena Sahadevan. 

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