BARLAVENTO DESPERDIÇA 7 MILHÕES M3 DE ÁGUA
Anualmente, Barlavento desperdiça um volume superior ao que é registado na barragem da Bravura, infraestrutura que serve o perímetro hidroagrícola de Alvor.
Redação
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8 de Fevereiro 2022, 10:00
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Pedro Valadas Monteiro, diretor regional de Agricultura do Algarve, estimou que Barlavento tenha perdido cerca de sete milhões de metros cúbicos de água nos canais de rega, entre as barragens e os beneficiários no barlavento (oeste) algarvio. 

“Temos perdas anuais de água na ordem dos cinco milhões de metros cúbicos no perímetro de rega de Silves, Lagoa e Portimão e de cerca de dois milhões no de Alvor, o que é muito significativo para o período de seca que estamos a atravessar”, referiu à Lusa Pedro Valadas Monteiro, acrescentando que este valor é superior ao número registado anualmente na barragem da Bravura, que serve uma área de cerca de 1.800 hectares. 

Segundo a mesma fonte, para contornar o problema, “vai ser investido um total de 35 milhões de euros, em trabalhos de isolamento e de pressurização” dos canais de rega, 27 milhões de euros no perímetro Silves, Lagoa, Portimão, e cerca de 08 milhões de euros no de Alvor. 

António Marreiros, presidente da Associação de Regantes e Beneficiário de Alvor (ARBA), entidade gestora da água da bacia da Bravura, afirma que “o volume atual é o mais baixo dos últimos 29 anos, só podendo ser comparado aos meses de janeiro dos anos de 1983 e 1993, altura em que tinha três milhões de metros cúbicos”, acrescentando que, no último ano agrícola, que terminou em outubro, foram retirados cerca de sete milhões de metros cúbicos de água da Bravura, “mas apenas foram faturados cinco milhões, o que representa um desperdício na ordem dos dois milhões”, explicou. 

“São estas perdas que temos de evitar, ainda para mais num ano que se avizinha de seca e extremamente difícil para esta região, o que faz antever, caso não chova, que não tenhamos água para a próxima campanha agrícola”, alertou. Segundo o responsável, da bacia da Bravura “atualmente, dos cinco milhões só podem ser retirados cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos de água, porque o restante é residual”, realçou. 

A mesma fonte destacou ainda que as obras de modernização dos canais condutores de água a partir da Bravura “são essenciais para evitar as perdas ao longo dos 60 quilómetros de condutas e servir as explorações agrícolas”. 

Vale a pena realçar que Barlavento é uma das regiões mais afetadas pela seca que o país atravessa. Segundo dados do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), no final do mês de dezembro, as bacias do Barlavento apresentavam uma disponibilidades de água de 14,3%. 

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