José Manuel Bolieiro, presidente do Governo dos Açores, está a ouvir, no Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada, os vários parceiros sociais e partidos para elaborar o Programa Operacional dos Açores 2030. Ontem (01/02) foi a vez da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, da UGT/Açores e da Federação Agrícola dos Açores.
Para Mário Fortuna, presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, o “quadro comunitário de apoio deve privilegiar a produção privada e, sobretudo, a produção privada orientada para as exportações”, uma vez que os programas anteriores “não lograram produzir convergência”.
“Alguma coisa deve ser feita de forma diferente e a forma diferente, no nosso entender, tem a ver com a forma como se encara o setor produtivo. Na nossa perspetiva, o setor produtivo tem de ser mais baseado nos transacionáveis, que são os produtos e os serviços que podemos exportar”, explicou o empresário em declarações aos jornalistas.
“A nossa capacidade exportadora de bens e serviços é uma fração pequenininha, é menos de metade daquilo que nós importamos […]. É aí que poderá estar o segredo para mudar a orientação futura da economia: focarmo-nos bastante nas exportações porque são as exportações que ampliam os nossos mercados”, nesse sentido, os fundos comunitários devem “contemplar também o reordenamento e a regeneração urbana” e fomentar a “descarbonização” e as “competências digitais das empresas”, concluiu.
Também Francisco Pimentel, líder da UGT/Açores, argumenta que as verbas devem ser canalizadas para o “desenvolvimento económico através da criação de empresas, utilizando as capacidades endógenas na área do mar, pescas, agricultura e turismo”, e para “alavancar o progresso nos próximos anos”.
O sindicalista lembrou ainda a importância de que “os jovens qualificados não continuem a emigrar dos Açores”, a “necessidade de qualificação e formação profissional dos trabalhadores iniciais para entrarem no mercado de trabalho”, e de “políticas ativas de emprego” que possam “progressivamente acabar com os programas ocupacionais e caminhar para formação que qualifique os desempregados”, para que estes “possam rapidamente ser absorvidos pelo mercado do trabalho”.
Já o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, quer uma aposta na formação para dar “um salto qualitativo na região, transversal a todos os setores de atividade”.
“As pessoas mais bem formadas estarão sempre muito mais bem preparadas”, por isso, a aposta na “formação a longo prazo”, é “fundamental para o desenvolvimento”, considera, acrescentando que a “manutenção” dos valores do Programa de Opções Específicas para o Afastamento e a Insularidade nas Regiões Ultraperiféricas (POSEI) é igualmente relevante.
“Sabemos que as diretivas comunitárias e os objetivos são claros. Tem muito a ver com o verde, do prado ao prato, as questões biológicas e a sustentabilidade ambiental, mas é bom que se diga sempre que é preciso sustentabilidade ambiental, sustentabilidade económica e sustentabilidade social”, concluiu Jorge Rita.
