Alexandre Fernandes, e a esposa Rosa, vivem da agricultura e pecuária e juntam, na serra do Gião, um rebanho com 460 cabras. Na serra, onde está situada no interior da bacia hidrográfica do rio Lima, a “erva escasseia”, fenómeno que preocupa o casal devido ao custo da alimentação associada à pecuária.
“Tenho 200 cabras paridas [em fase de aleitamento das crias] que estão a ter mais dificuldades com o leite. Nas duas últimas semanas notei uma quebra enorme, para metade, no leite e é preciso para tratar dos cabritinhos”, contou Alexandre em declarações à Lusa, acrescentando que se viu obrigado a comprar rações e feno para compensar para “sobretudo as cabras paridas”, porque “se falha o leite, as crias não crescem”.
Além disso, por causa da seca, os 800 fardos de feno que Alexandre colheu acabaram e o lavrador teve de comprar. “Em seis toneladas de ração e feno gastei entre quatro e cinco mil euros. Mandei vir de Espanha porque sai a melhor preço”, afirmou, explicando que o modo de produção biológica da sua exploração implica uma ração própria, mais cara, revelou.
Dário Lima, pastor de 53 anos, vive a mesma dificuldade. “Há pouco pasto nos campos e no monte e as águas [nascentes] são poucas. Para já, às cabras boto-lhes feno nas manjedouras. Cinco fardos todas as noites. As vacas ainda andam na serra, comem o que apanham”, aponta o pastor. Já Ricardo Santos, cabreiro detentor de mais de 40 cabeças de gado, entre éguas e vacas de raça chacena e barrosã, afirma que “se não cair chuva urgentemente, os animais indo para a branda (construções feitas em granito) até morrem à sede e as pastagens não rebentam. Vai ficar muito mal e não vai ser fácil”, concluiu.
