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Vogal na Assembleia de Freguesia dos Olivais
Não verga quem é de ferro!
E afirmo isto porque a maioria dos tempos de antena, uns mais, outros menos, são bastante teatralizados, chegando por vezes a rivalizar com alguns sketches dos “Malucos do Riso”.
21 Jan 2022, 12:00

Falta, agora, pouco mais de uma semana para termos as eleições e, consequentemente, uma nova composição eleitoral representada na Assembleia da República.

Em certa medida, é um alívio pensarmos assim pois, creio, as pessoas começam a ficar saturadas da campanha bem como dos excessos que o confronto eleitoral traz consigo.

O debate de ontem nas rádios foi particularmente revelador, onde Rui Rio e André Ventura não se importaram de faltar, invocando, talvez de forma oportunista, que o compromisso com os eleitores no terreno estava primeiro. Pode não ser o mais elegante, mas, porventura, renderá votos.

O debate de segunda-feira na RTP, versão “à molhada”, como apelidei no artigo anterior, demonstrou que os temas não são tão bem explorados, muitas vezes mais parecendo “tiro ao boneco” tendo o alvo preferido de todos o atual primeiro-ministro.

Sendo natural, não é, contudo, esclarecedor. Como nota de maior relevo, convido os muitos que, à direita, ainda se lamentam com o aparecimento de novos partidos, que reflitam no seguinte: em palco estavam quatro líderes à direita contra… cinco líderes do seu lado esquerdo! A esses pergunto se preferiam a divisão de tempo e, consequentemente, de protagonismo numa proporção de dois para cinco…

A saturação aumenta com as discussões nas redes sociais, muitas vezes alimentadas pelos próprios tempos de antena e conteúdos mediáticos que os partidos publicam. No mundo de hoje, é entendível que se queira entregar a comunicação da melhor maneira possível ao eleitor e, para tal, se contratem agências de comunicação e afins, para concretizar esse objetivo. No entanto, tal como um condomínio pode entregar a gestão do condomínio a uma empresa, quem tem que saber o que quer, e o que não quer, são os condóminos!

Esta semana foi até alvo de polémica o facto de Ricardo Araújo Pereira discriminar André Ventura, sendo o único líder a não ser convidado para o seu programa, onde irá estar, um para um, com os candidatos

E afirmo isto porque a maioria dos tempos de antena, uns mais, outros menos, são bastante teatralizados, chegando por vezes a rivalizar com alguns sketches dos “Malucos do Riso”. Num país onde Big Brothers, “Tardes da Júlia”, “Cristinas com vida”, etc., dominam as audiências, é tentador os políticos irem a esses palcos tentando buscar popularidade através desses entertainers. Esta semana foi até alvo de polémica o facto de Ricardo Araújo Pereira discriminar André Ventura, sendo o único líder a não ser convidado para o seu programa, onde irá estar, um para um, com os candidatos.

acho que um politico sério e, se verdadeiramente quer ser respeitado, não se deve sujeitar a ir para um espaço que não enobrece a atividade politica, sujeitando-se a que entertainers se lhes dirijam de forma sobranceira e, muitas vezes, jocosa

Sobre isto tudo, podem dizer que sou “old school” mas acho que um politico sério e, se verdadeiramente quer ser respeitado, não se deve sujeitar a ir para um espaço que não enobrece a atividade politica, sujeitando-se a que entertainers se lhes dirijam de forma sobranceira e, muitas vezes, jocosa.

O que fica na mente dos telespetadores é que os políticos, mesmo os candidatos a primeiro-ministro, estão num plano inferior às “celebridades” dos media, “vergando-se” a elas, consolidando um ciclo de desprestigio da política.

Como corolário do que afirmo sobre o carácter, bem como a firmeza que um político deve ter, relembro a postura da “Dama de Ferro”, Margaret Tatcher, que, mesmo cinco anos depois de ter deixado o cargo que exerceu por dez anos, recusou-se de forma resoluta, a fazer o tradicional salto que a entrevistadora sueca conseguira arrancar a várias personalidades da cena mundial, o “Stina Jump”, considerando o mesmo de pueril.

Aconselho os leitores a verificar como Tatcher, de forma cristalina, desmontou os argumentos de Stina Dabrowski. Talvez por isso seja uma personalidade que hoje, depois do seu falecimento, seja altamente respeitada, mesmo por aqueles que dela discordavam.

 relembro a postura da “Dama de Ferro”, Margaret Tatcher, que, mesmo cinco anos depois de ter deixado o cargo que exerceu por dez anos, recusou-se de forma resoluta, a fazer o tradicional salto que a entrevistadora sueca conseguira arrancar a várias personalidades da cena mundial, o “Stina Jump”, considerando o mesmo de pueril

Note-se que não é só em Portugal que as “palhaçadas” na política se viram contra os próprios. Na Inglaterra, Boris Johnson vê-se agora em apuros precisamente por estar envolvido numa festa, em tempos de COVID. O recato e sobriedade que nunca usou na política virou-se agora contra ele, reaparecendo conteúdo mediático que reforçam a imagem de bon vivant.

Tendo liderado o Brexit, num país que nos últimos anos acolheu muita imigração portuguesa, veremos o que irá acontecer: se Boris se aguenta ou o Labor party volta de novo ao poder, algo que não acontece desde 2010.

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