MULTIUSOS DE GAIA NÃO SERÁ INAUGURADO EM 2022, COMO ESTAVA PREVISTO
“Ainda não temos obra, há um processo de impugnação do concurso que está a ser dirimido em tribunal”, disse o presidente da Câmara.
Manuel Ribeiro
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5 de Janeiro 2022, 12:48
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Os gaienses contavam com o novo pavilhão multiusos já este ano, mas a reclamação de um dos concorrentes do concurso internacional embargou o arranque da obra.

Com uma área de implantação superior a 3500 metros quadrados, o novo Pavilhão Multiusos vai ser a maior sala de eventos do Município de Gaia.

A obra, cuja “utilidade e prioridade para os gaienses” tem sido questionada pela oposição desde a sua apresentação, em 2019, estava prevista inaugurar este ano, mas está embargada desde outubro de 2021.

O EuroRegião conversou com o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vitor Rodrigues.

EuroRegião: Como está a decorrer a obra e qual é a data prevista de inauguração do Pavilhão Multiusos?

Eduardo Vitor Rodrigues (EVR): Ainda não temos obra, há um processo de impugnação do concurso que está a ser dirimido em tribunal, findo qual, deverá, em princípio haver a obra. É uma impugnação entre concorrentes. Houve dois concorrentes, e o que ficou em segundo lugar decidiu reclamar e, como sabe, quando alguém levanta uma impugnação judicial, manda a lei que se suspenda o concurso até decisão. E é assim que está, de momento, esse projeto.

EuroRegião: O orçamento inicial do projeto foi calculado em 8 milhões de euros. Em 2020 disse aos jornalistas que “o equipamento tinha tudo para ser candidatável” a fundos europeus. Chegou a receber esse apoio?

EVR: Neste momento, estão a abrir as primeiras linhas de financiamento do PRR e estão a ser feitos os balanços do “overbooking” do quadro de 2020. Há toda uma expectativa de obras como estas, de elevada maturidade, poderem vir a ser candidatas ao remanescente, que são cerca de 30% do pacote global do Portugal2020, ou a uma linha especifica do PRR, afeta a equipamentos desportivos e culturais.
Na altura, decidimos avançar com a obra porque, em primeiro lugar, não dependíamos desse financiamento para a consumar e, em segundo lugar, apostávamos em ter a obra numa fase de maturidade avançada para que a candidatura pudesse ser feita em curto espaço de tempo, porque, o que vai acontecer com o “overbooking” e com o PRR, é apoiarem projetos que podem ser muito bons, mas se demorarem muito tempo, não vão lá. Assim, com este projeto, já com essa maturidade, evitava esses deslizes temporais.

Eduardo Vitor Rodrigues, Presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia. Foto: Arquivo/CMGaia.

EuroRegião: Quais são as principais valências do novo pavilhão multiusos?

EVR: Terá uma dupla intenção. A ideia é fazer um pavilhão que seja icónico do ponto de vista de arquitetura, numa zona importante, na Nacional 222 (EN222), na Avenida Vasco da Gama, e que consiga conciliar duas lacunas que o Município tem num só equipamento. Ou seja, sentimos a necessidade de um multiusos para eventos desportivos que o Pavilhão Municipal da Lavandeira já não consegue comportar. Nomeadamente, aqueles eventos que têm de ser homologados pelas federações nacionais e internacionais para todo o tipo de competições nacionais e internacionais.

O pavilhão da Lavandeira é antigo, dos anos 80, e não preenche todos esses requisitos. Temos essa lacuna que, do ponto de vista da imagem da cidade, de a podermos candidatar a capital europeia do desporto, por exemplo, é uma coisa que alentamos. Faz todo o sentido um pavilhão moderno.

Por outro lado, é também um espaço completamente dotado de todas as características para eventos de carater musical, teatral, cultural. Nós não estamos disponíveis para multiplicar equipamentos, por isso temos aqui um projeto suficiente modular para albergar um concerto a uma sexta à noite e um torneio de basquetebol no domingo seguinte, por exemplo.

EuroRegião: O equipamento está localizado junto à Estrada Nacional 222 (EN 222), na Rua Arcos do Sardão, junto à zona industrial do Sardão. A questão que se coloca é, para além do acesso automóvel, quais vão ser as alternativas para se chegar ao local numa noite ou num dia de evento?

EVR: É uma zona ampla, sim. Tem também uma parte residencial, mas é sobretudo industrial. Aqui o objetivo é ficar numa zona ampla com estacionamento que serve o pavilhão e a nova linha de metrobus que circulará na EN222. Ou seja, estamos a falar de uma interface intermodal dos transportes públicos. É de facto uma zona acessível, também perto de um nó de autoestrada.

Este tipo de equipamento tem de estar numa zona com alguns requisitos de acessibilidade porque levam muita gente e, portanto, não podem ser um empecilho dentro da cidade.

EuroRegião: E o metrobus foi a solução encontrada?

EVR: A solução metrobus é muito flexível e ao mesmo tempo, muito mais barata que a solução metro-em-carril e vai permitir ter na zona um modelo de transporte público espetacular, quer para a zona industrial como para os moradores. E, naturalmente, para o Pavilhão, quando este estiver a funcionar.

Será a primeira linha de metrobus na Área Metropolitana do Porto. É uma obra que já está no terreno, e bem avançada, que pretendemos levar até ao interior do conselho, percorrendo toda a EN 222.

EuroRegião: Quando está disponível a conclusão da linha metrobus?

Eduardo Vitor Rodrigues: Temos um ano e meio de obra, já passou meio ano, até final de 2022.

 

Foto: Projeto do pavilhão multiusos de Gaia. Arquivo/CMGaia.

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