A ZERO destacou o encerramento das centrais a carvão de Sines e Pego, a aprovação pela Assembleia da República e promulgação pelo Presidente da República da Lei de Bases do Clima, e a entrada em vigor do direito dos cidadãos a levarem os seus recipientes e embalagens quando vão a um pronto a comer/’take away’ ou comprar carne, peixe, pão e produtos de charcutaria como pontos positivos para o ambiente conquistados em 2021.
No entanto, a associação aponta o Plano de Recuperação e Resiliência como um dos principais entraves à evolução da sustentabilidade e das políticas ambientais, uma vez que o plano tem feito “investimentos com impacto ambiental e climático negativo”, nomeadamente a aposta “na rodovia e na construção de uma barragem desnecessária (aproveitamento de fins múltiplos do Pisão-Crato)”, refere, acrescentando que “a aposta na promoção de uma floresta mais diversificada e resiliente ficou-se pelo subfinanciamento e por medidas de eficácia quase nula como o reforço da rede primária de gestão de combustíveis”, pode ler-se no comunicado divulgado pela ZERO.
Segundo a mesma fonte, a “incapacidade demonstrada pelo Governo de implementar o Sistema de Depósito com Retorno para embalagens descartáveis, que foi aprovado em 2018 pela Assembleia da República e que deveria entrar em funcionamento em janeiro de 2022”, a manutenção do “subsídio perverso à incineração de resíduos urbanos através do Fundo Ambiental”, juntamente com “deficiências graves no Plano Estratégico da Política Agrícola Comum” são alguns dos pontos negativos de 2021 a nível ambiental.
De acordo com a entidade, é necessário que a Assembleia da República e o futuro Governo “assumam para Portugal o desígnio de promover uma economia do bem-estar”, tendo também em consideração o Planeta Terra, e que o responsável pelo Ambiente “tenha a capacidade e coragem de integrar o ambiente como questão transversal nas restantes áreas políticas”, desenvolvendo assim a sustentabilidade.
A ZERO defende que, para o próximo ano, deve haver uma “maior transparência” na gestão do Fundo Ambiental, mas também antecipar a meta de neutralidade climática “para 2045 ou ainda mais cedo”, acrescentando que, em 2022, devem ser definidas metas ambiciosas de reutilização de embalagens de bebidas por parte dos agentes, e implementadas políticas efetivas de gestão de recursos hídricos “que tenham em conta as questões de eficiência do uso, a escassez hídrica, a adaptação climática e a articulação com Espanha”, concluiu.
