MAIOR TELESCÓPIO ESPACIAL DA NASA VAI SER LANÇADO SEXTA-FEIRA
O telescópio James Webb, o maior e mais potente telescópio alguma vez enviado para o espaço, vai ser lançado esta sexta-feira e conta com o apoio de portugueses.
Redação
Texto
23 de Dezembro 2021, 18:13
summary_large_image

O lançamento do telescópio James Webb  está marcado para esta sexta-feira (24/12) às 12h20 (horário de Lisboa), após ter sido adiado múltiplas vezes. O James Webb esteve para ser lançado em 2007, problemas técnicos, nomeadamente um problema de comunicação entre o telescópio e o foguetão, fizeram com que a sua expedição fosse sendo adiada. 

O aparelho, cujo nome é inspirado num dirigente da NASA, tem um instrumento calibrado pela astrónoma portuguesa Catarina Alves de Oliveira e a segurança das operações supervisionada por engenheiros do ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade. 

A agência espacial norte-americana revelou que os custos estimados (443 milhões de euros) foram superados, tendo sido investida uma verba global de 8,8 mil milhões de euros na construção do maior e mais potente telescópio espacial. 

Com um espelho principal de 6,5 metros de diâmetro, o Webb supera o  seu antecessor Hubble (2,4 metros de diâmetro) em tamanha e em sensibilidade, uma vez que o aparelho é composto por 18 segmentos hexagonais que funcionam como um todo, proporcionando uma sensibilidade cem vezes superior à do seu antecessor. 

“Em astronomia, o tamanho de um telescópio é fundamental. Quanto maior, mais fotões podem ser recolhidos e, por isso, podemos ver objectos muito ténues e distantes, como as primeiras galáxias que existiram no Universo”, explicou a astrofísica Elisabete da Cunha em declarações à Lusa. 

Depois de uma “viagem” pelo espaço durante um mês, o James Webb vai ficar posicionado a 1,5 milhões de quilómetros da Terra para captar a luz de corpos celestes mais longínquos, de há 13,5 mil milhões de anos, quase a idade do Universo. Além de observar as primeiras estrelas e galáxias, vai permitir “olhar para dentro” de nuvens de gás e poeira onde se estão a formar estrelas, galáxias e sistemas planetários mais “recentes”, revelou a investigadora. 

Segundo a mesma fonte, com o novo telescópio poderá ser possível “conseguir, pela primeira vez, fazer um mapa da distribuição das estrelas” em galáxias distantes que “são verdadeiros monstros cósmicos, que estão a formar centenas e, até, milhares de novas estrelas por ano”, esclareceu Elisabete da Cunha. 

“Estas galáxias distantes são das galáxias que formam estrelas mais rapidamente no Universo, mas, por terem quantidades enormes de poeira cósmica, até agora nunca foi possível observar directamente as suas estrelas”, assinalou, acrescentando que vai “desenvolver modelos computacionais que possibilitam medir as propriedades físicas das galáxias”, explicou. 

Apesar de ser o maior e mais potente telescópio espacial, o James Webb não pode ser reparado em órbita, ao contrário do Hubble, devido à sua distância da Terra, pelo que a sua “esperança de vida” é curta, de cinco a 10 anos.

  Comentários