Hugo Martins, presidente da Câmara Municipal de Odivelas, está preocupado com o projeto do Metro de Superfície Odivelas – Loures devido aos custos superiores a 50 milhões de euros, relativos às expropriações e retiradas de infraestruturas do subsolo, que são responsabilidade do município.
Durante a reunião de ontem (15/12) da Câmara de Odivelas, o autarca informou que a Câmara está a chegar a “uma situação limite” e que está “disponível para tudo, inclusive deixar cair o projeto”. Segundo o mesmo, durante uma reunião com a administração do Metro de Lisboa na passada sexta-feira, Hugo Martins assumiu uma “posição intransigente” e foi “secundado pelo presidente da Câmara de Loures”.
“Nós apresentámos à proposta [para o Metro de Superfície Odivelas – Loures] várias alterações, como a colocação de mais uma estação na zona da Ramada, e [sugestões] em Póvoa de Santo Adrião para que não exista tanto impacto na zona histórica. O que é certo é que o metropolitano vai metendo valores na calculadora, e dizendo que todas estas alterações serão imputadas aos municípios. Por isso, quero dizer-vos publicamente que na sexta-feira disse ao metropolitano que a Câmara Municipal de Odivelas está na iminência de abandonar este projeto, porque os custos já ultrapassavam os 50 milhões de euros,” revelou o presidente da Câmara, acrescentando: “Não sei porquê, não sei quem fez as contas”.
“Não contem comigo nem com a Câmara Municipal para deixarmos para memória futura uma Câmara endividada por causa de um projeto. Se tivermos de abandonar esse projeto eu darei a cara à população e justificarei que não admitirei que a Câmara Municipal fique de forma perpetua hipotecada na sua saúde financeira por causa de um projeto sobre o qual tenho a certeza, e todos concordarão, que a responsabilidade não deveria ser nossa,” continuou.
O autarca socialista avisa que Odivelas está “disponível para participar, e para assumir alguns custos”, mas pretende procurar apoios do Governo, das linhas de financiamento do PRR, ou do próximo quadro comunitário, para suportar os custos do Metro de Superfície.
O Município de Odivelas já gastou 300 mil euros na concretização do projeto, enquanto Loures investiu cerca de meio milhão de euros. Ao Metro de Lisboa cabe financiar “o espaço canal e a instalação da linha, a compra do material circulante, e a criação do PMO, onde parqueiam as locomotivas” com um custo total de 250 milhões.
Está previsto que a linha entre Loures e Odivelas funcione num corredor em “C”, que ligará os dois términos, o Hospital Beatriz Ângelo e o Infantado (ambos situados no Concelho de Loures), à estação de Odivelas do Metropolitano de Lisboa, servindo assim as freguesias de Póvoa de Santo Adrião, Olival Basto, Odivelas, Ramada e Caneças (com 8 estações e 5,4 km), em Odivelas, e as freguesias de Santo António dos Cavaleiros e Frielas, no Concelho de Loures, com 10 estações e 6,7 km.
