MINISTRA DA COESÃO: O DOURO "TEM QUE RECLAMAR UM ESTADO MENOS CENTRISTA"
Nas celebrações dos 20 anos do Douro como Património Mundial da UNESCO, Ana Abrunhosa, lembrou a importância de “fixar população” e confessou ser de um “Governo centrista”.
Redação
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15 de Dezembro 2021, 18:30
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O Alto Douro Vinhateiro (ADV) é paisagem cultural evolutiva e viva da UNESCO desde 14 de dezembro de 2001. As comemorações do 20º aniversário da classificação do Douro como Património Mundial arrancaram ontem (14/12) e prolongam-se por um ano.

Em Lamego, durante a cerimónia de abertura das celebrações, a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, sublinhou que “o Douro e todo o território tem que reclamar por um Estado menos centralista, e que no Governo, no Conselho de Ministros tenhamos mais País”, acrescentando que “basta pensar que o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) tem sede em Lisboa, não há nada mais anacrónico, confesso a minha derrota”.

“O Douro e todo o território tem que reclamar um Estado menos centralista (…) basta pensar que o Instituto da Vinha e do Vinho tem sede em Lisboa, não há nada mais anacrónico, confesso a minha derrota”.

“Eu faço parte dos Governos mais centralistas que o nosso país já teve, o nosso primeiro-ministro reconhece isso, e esse centralismo acentuou-se com a pandemia, inevitavelmente”, lamentou.

A ministra destacou os desafios da população do Douro que “tem de continuar a ser um território de oportunidades para viver e trabalhar”, através da incorporação de “conhecimento e tecnologia em setores tradicionais e beneficiando de alianças estratégicas de longo termo com universidades e politécnicos”.

“Apesar de ter convergido com a região Norte e com o resto do país e apesar de estar a vender [vinho] mais do que nunca, a um preço mais elevado do que nunca, o impacto positivo que este setor tem nas exportações tem de se refletir no rendimento dos milhares de agricultores que, há séculos, são responsáveis pelo de que mais distintivo tem a região e que vivem exclusivamente do que a terra providência”, declarou.

“Fixar e atrair pessoas será um dos principais objetivos para o futuro do território, combatendo a crise demográfica e o despovoamento. Nós falamos muito do desafio climático e digital, eu estou convencida de que esses desafios são importantes, mas para mim o desafio demográfico é o mais importante de todos”, disse ainda.

Por último, Ana Abrunhosa lembrou os muros de xisto, uma marca identitária da região Património Mundial, que considera “uma questão muito, muito importante que o Governo tem que acautelar”.

Entre as cerimónias comemorativas que irão decorrer durante o próximo ano, estão a reedição do Prémio de Arquitetura do Douro para incentivar boas práticas de arquitetura na região Património Mundial, e a estreia da primeira ópera original criada em Trás-os-Montes e Alto Douro, a Mátria – Aqui na Terra, de 17 a 19 de dezembro no Teatro de Vila Real.

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