A consulta pública à proposta do Ministério do Ambiente para reconhecer a Lagoa dos Salgados como Reserva Natural abre esta quinta-feira, 9 de dezembro. A decisão do Governo foi celebrada pelas organizações ambientalistas, mas choca com projeto para um empreendimento turístico com mais de quatro mil camas.
A associação ambientalista Almargem, em comunicado, aplaudiu o anúncio do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, no dia 22 de novembro, “após mais de 20 anos de reivindicações”, do reconhecimento da Lagoa dos Salgados como Reserva Natural, algo que considera “sem sombra de dúvida um marco histórico para a conservação da Natureza no Algarve”.
No entanto, a organização apelou a “medidas concretas a serem aplicadas no terreno, sem esquecer a articulação com o futuro Parque Natural Marinho do Recife do Algarve”, nomeadamente, a “proteção das duas zonas húmidas” e dos “geossítios identificados”, a “valorização do património cultural em presença”, e a “elaboração e dinamização de um programa anual de atividades” que “permita o usufruto lúdico e pedagógico da Lagoa”, mas com “níveis mínimos de perturbação do ambiente natural”.
Os ambientalistas lembram que “a área onde se localiza a Lagoa dos Salgados, integra uma vasta área, conhecida por Praia Grande, onde se inclui uma outra zona húmida – o Sapal/Foz da Ribeira de Alcantarilha, a qual apresenta um grande interesse científico ao nível geológico e biológico, não só por albergar uma grande quantidade e variedade de espécies de aves, mas também pela sua riqueza em flora, o qual é fruto de um mosaico de habitats, que para além de integrar aquelas duas zonas húmidas inclui sistemas dunares, prados, pomares de sequeiro e habitats de natureza agrícola, constituindo um dos únicos troços livres do litoral central do Algarve”.
Segundo os mesmos, é importante “impedir o avanço” do empreendimento turístico que “contempla três hotéis de 4 e 5 estrelas e cerca de 350 unidades residenciais integradas em aldeamentos turísticos, num total de 4.000 camas, bem como um campo de golfe com 18 buracos”, numa propriedade na posse do Millennium.
João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, em declarações ao Público, garantiu que iria “tentar saber se há direitos adquiridos”, mas prevê que estes não se apliquem “dentro da área que vai ser reserva”. A proposta do Ministério estabelece que o perímetro protegido não se irá restringir à zona húmida, representando cerca de 400 hectares.
“Esta é uma proposta muito querida por nós e pelos ambientalistas. Por isso, estamos aqui a dar um passo relevante para o restauro dos ecossistemas e para a conservação da natureza,” acrescentou.
Contudo, para a Almargem, a “ameaça do mega-empreendimento” ainda “continua a pairar sobre esta área”, até porque o Plano Diretor Municipal de Silves, aprovado este ano, não exclui essa possibilidade.
