ALGARVE: APICULTURA EM ESTADO DE “CALAMIDADE”
A Melgarbe alertou para o impacto dos incêndios na apicultura algarvia. De acordo com a associação apícola regional, o setor está em situação de “calamidade”.
Redação
Texto
30 de Novembro 2021, 11:00
summary_large_image

Manuel Francisco, presidente da Melgarbe – Associação de Apicultores do Sotavento Algarvio, afirma que a “situação neste momento é de calamidade na apicultura, porque todas as colmeias, mesmo as que não arderam, têm de ser deslocadas dessa zona, porque estarão um período de alguns meses sem nada para comer”, revelou em declarações à Lusa. 

Os incêndios registados no Algarve durante o verão passado, nomeadamente em Monchique, Castro Marim, Vila Real de Santo António e Tavira, causaram perdas de colmeias, sendo necessário entre dois a três anos para recuperar a vegetação da região e, consequentemente, a produção apícola. 

O Algarve contou com o apoio da Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Algarve, que permitiu assegurar a sobrevivência das colmeias que resistiram ao fogo através da disponibilização de açúcar, principal alimento das abelhas mas, na visão de  Manuel Francisco, esta opção “não deve ser feita” sob pena da perda de qualidade do mel do Algarve. 

“O que nós precisamos é de uma ajuda como existe noutros países europeus, em que as próprias Câmaras e Governos dão apoios diretos ao apicultor. Mas nós aqui, para esses fins, não temos apoios”, lamentou o presidente da Melgarbe, sugerindo a criação de incentivos à produção e suporte de custos.

Segundo Paulo Ventura, técnico da Melgarbe, a criação de financiamentosé também necessária pelo facto da região do Alentejo e Algarve ter “por volta de 20% das colmeias nacionais” e produz “o equivalente, aqui no Algarve, a mais de 1.100 a 1.200 toneladas, muito dele para exportação”, revelou. 

Já o diretor regional de Agricultura e Pescas do Algarve, Pedro Valadas Monteiro, identificou os incêndios como uns dos principais motivos das perdas de colmeias, mas realça que existe um segundo problema no sector: o uso de pesticidas. De acordo com a fonte, os apicultores costumam relacionar a mortalidade das abelhas com o uso de pesticidas em pomares próximos, mas frisou que, para confirmar essa hipótese, é necessário recolher espécimes e analisá-los para garantir que a morte foi causada por um produto proibido na agricultura, até porque há doenças “altamente prejudiciais” para as abelhas como a varroose e predadores como a vespa velutina, que afetam as colmeias. 

Além disso, para  Pedro Valadas Monteiro, “um dos calcanhares de Aquiles [do setor] sempre foi a questão da comercialização e comercializarmos com pouco valor acrescentado, nomeadamente, a comercialização a granel, que já se sabe que tem preço, um valor unitário, pago ao produtor apícola, substancialmente inferior àquele que existiria se o mel fosse vendido todo embalado, com rotulagem”, concluiu. 

  Comentários