A Central do Pego produz, desde sábado (20/11), eletricidade sem recorrer a carvão. Na visão da Associação Ambientalista ZERO, esta é uma data histórica, uma vez que “se deixa de utilizar em Portugal o combustível mais poluidor em termos de emissões de gases com efeito de estufa causadoras das alterações climáticas”, pode ler-se no comunicado divulgado pela iniciativa.
Segundo a ZERO, “deixar de usar carvão na produção de eletricidade é um elemento crucial da descarbonização que recebeu destaque e foi polémico na COP26 que terminou no passado fim-de-semana pela recusa de alguns países em terminar com o uso deste combustível”, mas em declarações ao EuroRegião, Nuno Forner mencionou que, neste momento, existe uma “necessidade de uma aposta forte na área energética, nomeadamente no sentido de atingir-se 100% de energia renovável de forma sustentável, aumentar a eficiência energética no setor dos edifícios, combater a pobreza energética e promover a produção de eletricidade descentralizada”, acrescentando ainda que “o abandono na utilização do carvão está ligado à necessidade de uma transição energética, existe um conjunto de iniciativas e/ou investimentos que poderão de forma significativa contribuir para a redução das emissões, maior eficiência e diminuição do impacte ambiental de uma forma transversal”, referiu.
“Tendo em consideração os dados para os anos de 2018 e 2019, a Central do Pego representou, em média, anualmente, 4% das emissões totais nacionais de gases com efeito de estufa (GEE), variando entre 1,6 e 5,3 em função da produção realizada (2019 é o último ano com emissões totais nacionais disponíveis). Em termos absolutos, a média anual foi de 4,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente”, revelou o representante da associação.
Com o encerramento do setor do carvão nas duas infraestruturas, “Portugal deverá registar uma enorme quebra de emissões de carbono, dado que o recurso a centrais de ciclo combinado a gás natural, caminho temporário para uma solução 100% baseada em fontes renováveis, se traduz em emissões de pouco mais de um terço por cada unidade de eletricidade produzida em comparação com o carvão”, informou.
Para o futuro, a ZERO realça que a “queima de biomassa florestal é uma solução ineficiente e contraditória com os objetivos de retenção do carbono na floresta e no solo e não se traduz numa significativa mais-valia face a outras soluções de mitigação climática. Para além disso existem dúvidas de que haja biomassa florestal residual suficiente para alimentar um eventual projeto de conversão da central do Pego considerando que num raio de intervenção de 80 km são já inúmeras as centrais de biomassa e indústrias florestais que competem pela matéria florestal residual”, revelou Nuno Forner.
Além disso, os ambientalistas alertam ainda para a escassez de biomassa residual florestal em território nacional, atendendo a que num raio de intervenção de 80 quilómetros são já inúmeras as centrais de biomassa e indústrias florestais que competem pela matéria florestal residual.
A ZERO levantou ainda questões sobre o plano para as centrais de Sines e Pego e na refinaria de Matosinhos, afirmando que é necessário garantir a vitalidade económica e social das regiões afetadas.
“Sem diálogo, concertação social e criação de soluções alternativas atempadas, não estamos de forma alguma a fazer uma transição energética justa”, considera a associação, alertando desconhecer, no caso da central de Sines, “o uso de qualquer verba do Fundo para a Transição Justa até agora”, conclui.
