ZERO QUESTIONA A CONVERSÃO DA CENTRAL TERMOELÉTRICA DO PEGO
A associação ambientalista considera que o concurso público deixou “a porta escancarada para a utilização insustentável de biomassa florestal”.
Redação
Texto
22 de Outubro 2021, 17:30
summary_large_image

Num comunicado publicado ontem, 21 de outubro, Dia Internacional de Ação sobre a Biomassa em Grande Escala, a associação ZERO alerta para os perigos da conversão da central termoelétrica do Pego.

Segundo a ZERO, o concurso público para a atribuição do ponto de injeção na Central do Pego, aberto pelo Governo, em setembro, deixa “a porta escancarada para a utilização insustentável de biomassa florestal, ao permitir a possibilidade da sua utilização nos projetos” candidatos.

Os ambientalistas explicam que o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ainda “não apresentou até agora os planos de sustentabilidade das centrais de biomassa em funcionamento”, mas a Zero “defende que a concessão deste ponto de ligação deverá ter em consideração somente projetos que resultem da utilização de fontes de energia verdadeiramente renováveis e que de forma alguma coloquem a possibilidade de uma fase de transição com recurso a biomassa, tendo em consideração que esta não é, nem será de forma alguma renovável tendo em consideração a escassez de biomassa residual florestal em território nacional, assim como a eventualidade de necessidade de importação e transporte a partir de países a milhares de quilómetros de distância com acréscimo significativo de emissões de gases com efeito de estufa”.

Outras das críticas ao concurso público é a comissão de avaliação “pouco independente” por ser “constituída maioritariamente por elementos com ligação política no presente ou no passado à autarquia de Abrantes, ou à Direção-Geral de Energia e Geologia”, considera a associação.

“Embora em teoria os setores da biomassa e dos pellets em Portugal utilizem apenas resíduos e resíduos industriais, na realidade o que se constata no terreno é condizente com a exploração insustentável dos recursos florestais, onde troncos de madeira de qualidade estão a ser queimados para produzir eletricidade ou transformados em pellets de madeira para alimentar as necessidades do mercado europeu ávido de matéria-prima para incinerar nas centrais de biomassa, agravando ainda mais o défice de matéria-prima na indústria portuguesa”, argumenta a ZERO.

Neste momento a Central do Pego tem em funcionamento uma unidade a carvão, mas esta será desativada no mês de novembro.

  Comentários