RÚSSIA ALIVIA GUERRA! PUTIN DECLARA CESSAR-FOGO NA UCRÂNIA
Presidente russo decretou hoje tréguas temporárias
Redação EuroRegião com LUSA
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5 de Janeiro 2023, 17:56
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As tropas russas a combater na Ucrânia observarão um cessar-fogo de 36 horas entre o meio-dia de 6 de janeiro e a meia-noite de 7, decretou hoje o Presidente Vladimir Putin.

Num comunicado, a Presidência russa (Kremlin) afirmou que Putin respondeu a um apelo do patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Cirilo, divulgado hoje de manhã.

“Atendendo ao apelo de Sua Santidade o patriarca Cirilo, instruí o ministro da Defesa para introduzir um regime de cessar-fogo ao longo de toda a linha de contacto na Ucrânia desde as 12:00 [de Moscovo, 09:00 de Lisboa] de 06 de janeiro deste ano até à meia-noite de 07 de janeiro [21:00 de Lisboa]”, lê-se no comunicado.

Putin indicou que “um grande número de cidadãos que professam a religião ortodoxa vivem em zonas de combate”.

“Apelamos ao lado ucraniano para que declare um cessar-fogo e lhes dê a oportunidade de irem à igreja na véspera de Natal, bem como no dia da Natividade”, disse ainda Putin na ordem dirigida ao ministro da Defesa, Serguei Shoigu, publicada na página de internet do Kremlin.

O patriarca Cirilo tinha apelado hoje aos beligerantes “no conflito fratricida para os convocar a estabelecer um cessar-fogo e selar uma trégua de Natal das 12:00 de 6 de janeiro às 00:00 de 7 de janeiro para que a população ortodoxa possa ir à missa na véspera de Natal e no dia do nascimento de Jesus Cristo”.

Em resposta, o conselheiro presidencial do Presidente ucraniano Mykhailo Podolyak considerou o apelo de Cirilo “uma armadilha cínica e um elemento de propaganda”.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, também tinha pedido hoje, numa conversa telefónica com o seu homólogo russo, a adoção de um “cessar-fogo unilateral” na Ucrânia para poder ser negociada “uma solução justa”.

“Os pedidos de paz e as negociações entre Moscovo e Kiev devem ser apoiados por um cessar-fogo unilateral”, disse o chefe de Estado da Turquia a Putin, de acordo com um comunicado divulgado pela presidência turca.

Erdogan manteve hoje também um contacto telefónico com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Através do Telegram, Zelensky indicou que discutiu com o homólogo turco “a cooperação de segurança bilateral e questões de segurança nuclear”, e neste ponto em particular a situação na central nuclear ucraniana de Zaporijia, sob ocupação russa.

“Também conversamos sobre a troca de prisioneiros de guerra com a mediação turca, o desenvolvimento do acordo de cereais e agradecemos a disposição de Turquia em participar da implementação de nossa Fórmula da Paz”, adiantou o Presidente.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas – 6,5 milhões de deslocados internos e mais de 7,9 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Neste momento, 17,7 milhões de ucranianos precisam de ajuda humanitária e 9,3 milhões necessitam de ajuda alimentar e alojamento.

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.919 civis mortos e 11.075 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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