MARCELO PERDE A NOÇÃO E DESILUDE AMNISTIA INTERNACIONAL
Em causa estão as declarações do Presidente da República no pós-jogo Portugal-Nigéria
Inês Palhares Rosa com Lusa
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18 de Novembro 2022, 13:20
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A Amnistia Internacional Portugal mostrou-se hoje “estupefacta” com as declarações do Presidente da República sobre os direitos humanos no Qatar, na véspera do Mundial2022 de futebol, pedindo-lhe que não vá assistir ao Portugal-Gana em 24 de novembro.

“Fiquei estupefacto com o comentário do Presidente da República, porque é uma pessoa que muito estimamos, e um cargo que muito respeitamos. Esse respeito e estima vem de que Marcelo Rebelo de Sousa normalmente está na linha da frente na defesa dos direitos fundamentais, dos direitos humanos”, lembra o diretor executivo da Amnistia, Pedro A. Neto.

À Lusa, o dirigente da organização não-governamental destaca Marcelo Rebelo de Sousa como uma “pessoa com muita sensibilidade, muito próxima e atenta a problemas de direitos humanos”, e atribui as afirmações ao “entusiasmo do momento, de final de jogo e de ‘flash interview’, em que estava a querer falar de desporto”.

“O Qatar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal…, mas, enfim, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na equipa. Começámos muito bem e terminámos em cheio”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, na zona de entrevistas rápidas no Estádio José Alvalade após o 4-0 de Portugal à Nigéria, na quinta-feira.

A Amnistia renova ainda o “apelo da Frente Cívica”, associação que apelou ao Presidente, mas também ao primeiro-ministro, António Costa, e ao presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que boicotem o evento no Qatar.

Rebelo de Sousa explicou, na quinta-feira, que vai marcar presença no Portugal-Gana, primeiro jogo da seleção portuguesa na fase de grupos, marcado para dia 24 deste mês.

“Não há razão para que o Presidente, o primeiro-ministro e o presidente da AR vão ao Qatar em representação de Portugal, porque Portugal gosta muito de futebol mas, quero acreditar, não está conivente com abusos de direitos humanos naquele país”, destaca Pedro A. Neto, pedindo que os órgãos de soberania não “legitimem e validem as autoridades do Qatar”.

Várias seleções, como Dinamarca, Austrália ou Estados Unidos, posicionaram-se ativamente contra os abusos ou a favor da inclusão e proteção, quer dos migrantes quer da comunidade LGBTQIA+, tanto a viver no país como quem pretenda viajar para assistir aos jogos.

O Campeonato do Mundo masculino de futebol vai decorrer entre 20 de novembro e 18 de dezembro, com a seleção portuguesa apurada e inserida no grupo H, com Uruguai, Gana e Coreia do Sul.

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