EUA QUER GARANTIR DESARMAMENTO NUCLEAR DA RÚSSIA E AVANÇA COM TRATADO
Estados Unidos querem reunir-se com a Rússia para dar continuidade ao tratado New Start.
Maria João Silva com Lusa
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9 de Novembro 2022, 12:00
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“Acordámos que a comissão consultiva bilateral (BCC, na sigla em inglês) poderá reunir-se num futuro próximo ao abrigo do Tratado New Start”, informou o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, em declarações aos jornalistas, confirmando uma notícia avançada pela Bloomberg.

“O trabalho da comissão é confidencial mas esperamos uma reunião construtiva”, acrescentou, referindo-se à importância da manutenção do diálogo com a Rússia sobre a “redução de riscos”, não obstante a guerra na Ucrânia.

Se a reunião for confirmada, terá lugar numa altura em que as tensões em torno do tema se encontram num dos picos mais elevados em muitas décadas, com a Rússia e os Estados Unidos evocarem por diversas vezes a ameaça nuclear nas últimas semanas.

O porta-voz do Departamento de Estado escusou-se a especificar uma data ou local para o encontro.

A última reunião da comissão consultiva teve lugar em outubro de 2021.

A Rússia anunciou no início de agosto que suspendia as inspeções agendadas dos Estados Unidos às suas instalações militares, ao abrigo do New Start, alegando que estava a responder da mesma forma à obstrução dos Estados Unidos a inspeções russas semelhantes.

O Tratado New Start é o último acordo bilateral do género entre as duas maiores potências nucleares do mundo.

Assinado em 2010, limita os arsenais dos dois países a um máximo de 1.550 ogivas, número que significa uma redução de quase 30% em relação ao limite anterior, fixado em 2002. O tratado limita ainda o número de lançadores e bombardeiros pesados a 800, o que é ainda suficiente para destruir o planeta várias vezes.

A atual versão do Tratado está em vigor até 2026.

As inspeções recíprocas têm ascendido a quase duas dezenas anualmente.

Ned Price sublinhou, finalmente, o compromisso dos Estados Unidos em manter os “canais de comunicação” abertos com a Rússia, inclusivamente para abordar questões bilaterais importantes, e que os mesmos nunca foram fechados desde o início da ofensiva russa contra a Ucrânia em 24 de fevereiro último.

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