“O Conselho do BCE decidiu hoje aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 75 pontos base”. É o terceiro aumento consecutivo para pôr travão à subida galopante da inflação, uma vez que esta “permanece demasiado elevada e continuará a ser superior ao objetivo do BCE durante um período prolongado”.
Esta medida poderá ter impactos negativos nas despesas mensais de muitas famílias, sobretudo para as que têm crédito à habitação ou que estejam a pensar comprar casa.
Miguel Cabrita, responsável do idealista/crédito habitação em Portugal, explica que “com taxas 75 pontos mais altas, as taxas efetivas (os juros que são pagos independentemente se o crédito habitação é fixo ou variável) vão passar a 4%, o que vai deixar fora do mercado muitas famílias que em janeiro deste ano (antes à invasão da Ucrânia) tinham acesso a um empréstimo para a compra de casa. Essa redução da procura pode afetar os preços das casas para comprar, traduzindo-se em quedas de preços em alguns mercados, dependendo do nível de flexibilidade da procura em cada mercado.”
Até mesmo as famílias com mais capacidades financeiras para avançarem com o pedido de um crédito habitação, vão notar diferenças no seu modo de poupança e no seu nível de consumo, pelo que neste caso, Miguel Cabrita aconselha que as pessoas optem por uma habitação mais barata do que a inicialmente pensada.
É impossível fugir ao aumento das taxas de juro. Sendo assim, se for aplicado o “sistema de amortização francês”, os créditos habitação mais recentes vão sofrer um aumento compreendido entre 230 a 250 euros; os que foram assinados em 2011 ficam 147 euros mais caros; e os contratados em 2005 aumentariam apenas 90 euros por mês.
Marcelo Rebelo de Sousa já comentou a decisão do BCE, afirmando que “vale a pena pensar, e pensar o mais próximo possível, se é de continuar este galope, porque pode ser a maneira não certa, não correta de resolver o problema, nem o da inflação, nem o do crescimento económico”.
