Manuel Carmo Gomes, professor de Epidemiologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e membro da Comissão Técnica de Vacinação, que aconselha a Direção-Geral da Saúde realçou, em declarações ao jornal Expresso, que os portugueses não podem pensar que a Pandemia da COVID-19 já terminou, acrescentando que “é perfeitamente possível” que o número de novos casos venha a ser preocupante neste inverno”, referiu.
Já na passada segunda-feira, dia em que DGS registou 468 casos e 11 óbitos por COVID-19, Hans Kluge, diretor-geral da OMS para a Europa, já tinha deixado um alerta aos países do continente: não é momento de reduzir precauções, uma vez que o continente europeu contabilizou 60% dos novos casos de todo o mundo.
O número de casos reportado pela DGS neste momento não é representativo do verdadeiro número de casos que existem, porque agora as pessoas só fazem testes que sejam notificados às autoridades quando estão em meio hospitalar ou quando têm uma prescrição médica. A linha do SNS24 que prescrevia os testes já não funciona”, explicou ao jornal do grupo Impresa.
De acordo com o epidemiologista Manuel Carmo Gomes, com a chegada do mês de novembro, é provável que o número de casos afetados pela Ómicron aumente. “Nos últimos meses, a Ómicron diversificou-se muito e surgiram várias subvariantes”, com mutações que lhes permitem fugir aos anticorpos, explica o epidemiologista. Mas há uma subvariante que merece especial atenção, por ter adquirido uma vantagem em relação a todas as outras: a de aumentar a sua proporção de novos casos em todos os países da Europa. “Tomem nota, porque vão ouvir falar muito dela no inverno: BQ.1.1. É de esperar que, com a chegada do tempo frio, em novembro e em dezembro, a BQ.1.1 e outras subvariantes da Ómicron (como a BF.7, também presente em Portugal) provoquem um aumento de novos casos e que isso cause pressão hospitalar”, esclareceu.
Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, reforça, por sua vez, que os cuidados se devem manter os mesmos: o uso de máscara – medida de “bom senso, respeito e solidariedade com os outros” – continua a ser “altamente recomendável, especialmente quando estivermos perto de pessoas mais frágeis, mas também na presença de uma grande quantidade de pessoas”; renovar o ar dos espaços, com janelas abertas ou sistemas mecânicos como ar condicionado; lavar as mãos e manter o distanciamento físico, com os colegas de trabalho e as pessoas mais velhas, em particular se for detetado algum “sintoma respiratório”, porque “agora não fazemos testes e não sabemos o que significa esse sintoma”, concluiu.
