A Comissão Europeia quer a União Europeia (UE) “preparada para o pior cenário possível” de crise energética, alertando que este inverno “não será fácil”, dados os preços elevados e as eventuais ruturas no fornecimento de gás à Europa.
“Encorajo os Estados-membros a continuarem os seus esforços para poupar e armazenar o máximo de gás possível”, salienta.
No dia em que divulga novas medidas para a UE enfrentar a crise energética, Kadri Simson diz à Lusa que todos os pacotes já propostos contêm “instrumentos para, precisamente, evitar o caos e minimizar os riscos” perante corte no abastecimento russo.
“Estamos também a intensificar o nosso trabalho em matéria de preços. Os Estados-membros acabam de concordar com uma intervenção de emergência no mercado da eletricidade e vamos em breve avançar com outras propostas para continuar a melhorar a nossa preparação, tendo sempre presente que devemos estar preparados para o pior cenário possível”, destaca a responsável.
As tensões geopolíticas devido à guerra na Ucrânia têm afetado o mercado energético europeu desde logo porque a UE depende dos combustíveis fósseis russos, como o gás, e teme cortes no fornecimento este inverno.
No quadro da atual crise energética, a responsável recorda que “os fundos da UE do Mecanismo Interligar a Europa estão disponíveis para projetos marcados como projetos de interesse comum” porque “A Europa só pode sair desta crise [energética] através de mais unidade e solidariedade”.
A Comissão Europeia garante, também, estar disponível para apoiar interconexões energéticas na Península Ibérica, lembrando verbas comunitárias existentes para financiar ligações para eletricidade e hidrogénio ‘verde’ e destacando o “bom exemplo” do Porto de Sines no gás natural liquefeito.
“A Comissão e os Estados-membros estabeleceram grupos regionais de alto nível para facilitar o desenvolvimento de infraestruturas numa região específica e Portugal, Espanha e França pertencem ao grupo do sudoeste europeu. No plano [energético] REPowerEU, a Comissão manifestou a sua disponibilidade para ajudar a Península Ibérica a acelerar a implementação das suas infraestruturas através do trabalho deste grupo regional”, recorda em entrevista por escrito à agência Lusa a comissária europeia da Energia, Kadri Simson.
No que toca ao REPowerEU, a comissária europeia lembra à Lusa que esse pacote “salientou também que é relevante para a Península Ibérica acelerar a implementação do seu projeto de interligação elétrica, abrangendo o Golfo de Biscaia entre França e Espanha, interligação Portugal e Espanha, agrupamento de linhas internas em Portugal e as chamadas travessias dos Pirenéus entre Espanha e França”.
O pacote energético RepowerEU prevê a aposta neste tipo de interligações ibéricas, esperando que Portugal avance com projetos já antigos de interconexão com Espanha, para assim chegar ao resto da Europa, quer de eletricidade, como de gás (natural e, futuramente, hidrogénio).
Apresentado pela Comissão Europeia em maio passado, o REPowerEU é o plano de Bruxelas para aumentar a resiliência energética europeia e tornar a UE independente dos combustíveis fósseis russos antes de 2030, no seguimento da guerra da Ucrânia e dos problemas no abastecimento.
Espanha e Portugal têm vindo a reivindicar um aumento das interconexões por a Península Ibérica ter poucas interligações energéticas com o resto da UE.
“O REPowerEU destaca o potencial da Península Ibérica para contribuir para a segurança do aprovisionamento da UE”, pelo que “estamos cientes dos planos para que o Porto de Sines se torne um dos maiores centros verdes da Europa e, naturalmente, acolhemos favoravelmente tais intenções”, refere ainda a responsável.
